Mais de um milhar de polícias manifestaram-se, nesta quarta-feira, em Lisboa, num protesto pouco ruidoso, mas com a promessa de voltarem às ruas caso o Governo continue por resolver as principais reivindicações.

Organizada por 11 sindicatos da PSP, a manifestação decorreu entre a Direção Nacional da PSP, na Penha de França, e o Ministério da Administração Interna (MAI), na Praça do Comércio, tendo sido ao longo do desfile poucas as palavras de ordem, apesar de terem prometido no início um protesto ruidoso.

Numa manifestação que durou cerca de uma hora e meia, os polícias chegaram à Praça do Comércio por volta das 20:00, onde cantaram o hino nacional, mostraram o crachá de polícia e viraram as costas ao MAI em sinal de protesto, cujas instalações estavam protegidas por um dispositivo policial e com um gradeamento reforçado com blocos de cimento.

Os polícias apresentam-se no protesto à civil e não fardados, como inicialmente tinham anunciado, depois de o Tribunal Administrativo de Lisboa ter decidido que o uso da farda em manifestações era ilegal.

Segundo a organização, são várias as reivindicações, mas as principais passam pela recuperação dos 12 anos em que as carreiras estiveram congeladas, entre 2005 e 2017, um regime de aposentação e pré-aposentação adequado à profissão policial e o subsídio de risco.

Os sindicatos da PSP queixam-se também da falta de diálogo do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e sentem-se “ignorados pelo Governo”.

O presidente da Federação Nacional dos Sindicatos da Polícia (Fenpol), Pedro Magrinho, disse à Lusa que o ministro “não recebe os sindicatos da PSP desde o verão do ano passado”.

O ministro tem a tutela de várias áreas, mas é apenas o ministro da proteção civil”, afirmou, pedindo a demissão de Eduardo Cabrita.

Também o presidente do Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol), Armando Ferreira, declarou que os polícias são “completamente esquecidos” por este executivo.

Por isso, avançou que vão ser realizadas mais protestos caso o Governo não responda às reivindicações.

Os protestos não param hoje, mas começam hoje”, sustentou.

Uma delegação dos sindicatos que organizaram a manifestação vai entregar, na quinta-feira, um caderno reivindicativo no Ministério da Administração Interna.