A manifestação organizada pela associação Lobby pela Vida para assinalar os cinco anos que passaram desde a aprovação da lei que despenaliza o aborto até às 10 semanas juntou cerca de 50 pessoas em Lisboa.

«Cinco anos depois de ter sido aprovada a lei do aborto, não podíamos deixar de lembrar as vítimas desta lei», disse à agência Lusa Maria do Carmo de Orey, uma das promotoras da acção de protesto.

A concentração do grupo começou pelas 15:00, na Rua Mãe de Água, em Lisboa, numa casa emprestada à Lobby pela Vida pela associação Mãos Erguidas, um movimento católico. No lado oposto da rua, a entrada da Clínica dos Arcos (onde se fazem abortos legais) estava protegida por cinco elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP), apesar de se encontrar hoje fechada, mas o acção de protesto foi pacífica.

O momento alto aconteceu depois de breves discursos dos organizadores da manifestação, quando os participantes foram depositar flores à porta da Clínica dos Arcos. «A nossa organização não é religiosa. É aberta a todos os que lutam contra o aborto», salientou Maria do Carmo de Orey, acrescentando que a Lobby pela Vida vai continuar «activa na luta pela vida».

As próximas acções estão agendadas para Março, quando alguns elementos da associação vão a Bruxelas participar na Marcha pela Vida, que também ocorrerá em Lisboa.

Por seu turno, António Pinheiro Torres, da Federação Portuguesa pela Vida, optou por um discurso mais dramatizado, considerando que a Clínica dos Arcos «é um lugar de horror, de morte e de chacina», apontando para «as 80 mil crianças que morreram desde 2007», ano em que foi aprovada a lei do aborto em vigor.

Pinheiro Torres disse que a entidade que lidera se vai continuar a bater por «uma lei que proteja o ser humano desde a concepção», dizendo que «todos os dias morrem 22 bebés na clínica do horror, num total de seis mil mortos por ano».

Em Portugal, segundo Pinheiro Torres, «são mais de 20 mil mortes por ano».

Por isso, disse que não descansará enquanto a Clínica dos Arcos não fechar portas. «Espero bem que não», gritou bem alto uma jovem que passava na rua onde decorria o protesto, acrescentando que «o corpo é da mulher, e a decisão também». O momento de tensão foi curto, já que a jovem seguiu o seu caminho e o grupo continuou a manifestar-se durante mais alguns minutos.
Redação / SM