O protesto dos “coletes amarelos” teve hoje de manhã uma fraca adesão, mas provocou alguns condicionamentos de trânsito, tendo a polícia identificado 12 pessoas, no Porto e em Coimbra, e detido três manifestantes em Lisboa, na sequência de desacatos.

Até às 12:00, a polícia deteve três manifestantes, em Lisboa, na zona do Marquês de Pombal, por desobediência e resistência à autoridade, depois de alguns momentos de tensão entre os “coletes amarelos” e os elementos das forças policiais, que se têm repetido. Várias dezenas permanecem no local ao início da tarde.

No Porto, foram identificados oito manifestantes, junto à rotunda do Nó de Francos, no acesso à cidade, por “apresentarem tarjas ofensivas e demonstrarem uma postura agressiva”, disse à agência Lusa fonte da Direção Nacional da PSP.

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Seis dezenas de manifestantes condicionaram o trânsito na cidade de Coimbra, principalmente depois das 10:00, mas sempre controlados por efetivos da PSP. No começo do protesto, foram identificados quatro participantes na manifestação.

Os manifestantes deixaram a rotunda da Casa do Sal, onde se tinham concentrado a partir das 07:00, e rumaram até junto da rotunda da estação de Coimbra B e do terminal rodoviário na Avenida Fernão de Magalhães, parando nas passadeiras, mas sendo de imediato retirados pela polícia.

Em Braga, todas as entradas norte da cidade, na rotunda das Infias, foram bloqueadas por mais de meia centena de “coletes amarelos” desde as 06:00, tendo-se registado algumas altercações com automobilistas que tentavam passar, mas sem gravidade.

Segundo constatou a agência Lusa no local, mais de meia centena de coletes amarelos deram pontapés e atiraram garrafas a viaturas que tentaram furar o bloqueio.

A PSP acabou por desviar o trânsito antes da zona bloqueada pelos manifestantes e, às 12:20, já era possível utilizar estes acessos para sair da cidade, mantendo-se as entradas cortadas.

Em Aveiro, às 09:00, a Estrada Nacional (EN) 109, junto ao nó de acesso à Autoestrada 25, esteve cortada momentaneamente por cerca de 40 elementos do protesto.

A PSP conseguiu desbloquear a estrada, mas os “coletes amarelos” voltaram minutos depois a fazer dois novos cortes, por curtos períodos de tempo.

Seguiu-se uma pequena marcha lenta ao longo da EN109, até à rotunda do Rato. Já perto das 11:00, e depois de terem sido ouvidos petardos a rebentar na zona, ascendia a 50 o número de manifestantes, que atravessaram passadeiras para condicionar o trânsito.

Também no Centro, em Viseu, no Rossio, cerca de quatro dezenas de manifestantes condicionaram o trânsito atravessando continuamente as passadeiras, um método replicado por “coletes amarelos” em várias cidades para impedir a circulação de automóveis.

A praça está a receber desde as 07:00 de hoje manifestantes, a “conta-gotas”.

“Estamos a contar com 300 a 400 pessoas ao longo do dia aqui no Rossio e vamos tentar causar algum impacto na via de trânsito com passagens alternadas nas passadeiras. Vamos ficar até às 00:30, que foi a hora que colocámos no documento entregue à Câmara”, disse à Lusa um dos organizadores.

Em Leiria, perto de uma centena de manifestantes do protesto condicionaram o trânsito numa rotunda junto ao Estádio Municipal da cidade, onde a circulação de e para o Itinerário Complementar (IC) 2 foi cortada, durante alguns minutos, pela polícia.

Perto das 09:00, os participantes concentraram-se na rotunda da Almoínha Grande, onde o fluxo de trânsito ficou reduzido com o corte destas ligações.

Nos acessos a Lisboa, ao início da manhã, a Autoestrada 8 (A8) registou três quilómetros de fila, cerca das 08:15, segundo fonte da Autoestradas do Atlântico, mas o trânsito acabou por fluir com normalidade.

Já nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama, no IC19 e nas portagens de Alverca da Autoestrada do Norte (A1), a circulação fez-se esta manhã sem impacto do protesto ou mesmo de uma forma mais rápida do que o habitual num dia útil de manhã.

Em Faro, a concentração de cerca de uma centena de manifestantes, junto à entrada da cidade, que ocuparam continuamente as passadeiras para pões, causou pequenos atrasos no acesso à capital algarvia.

Na Guarda, duas dezenas de pessoas aderiram à iniciativa, junto da rotunda do G, um dos principais acessos à cidade, e em frente da Câmara Municipal, sem causarem problemas no trânsito.

Durante o protesto empunharam duas bandeiras de Portugal e cartazes com mensagens como “Políticos = gatunos, corruptos, chulos”, “A23/A25 nem uma borla. Deputados é só subsídios”, “Chega de impostos para manter pançudos”, “Basta de corrupção” e “Baixar os impostos”.

No distrito de Santarém, a capital de distrito, Abrantes e Tomar somaram 26 pessoas, segundo a ronda feita pela Lusa, enquanto em Setúbal uma dezena de “coletes” esteve concentrada na rotunda dos Golfinhos.

Em vários dos pontos de protesto, o número de polícias presentes é superior ao de manifestantes.

Os protestos dos “coletes amarelos” em Portugal foram convocados por vários grupos através das redes sociais, com inspiração nos movimentos contestatários das últimas semanas em França.

Um dos grupos, Movimento Coletes Amarelos Portugal, num manifesto divulgado na quarta-feira, propõe uma redução de impostos na eletricidade, com incidência nas taxas de audiovisual e emissão de dióxido de carbono, uma diminuição do IVA e do IRC para as micro e pequenas empresas, bem como o fim do imposto sobre produtos petrolíferos e redução para metade do IVA sobre combustíveis.

Não tolerando qualquer ato de violência ou vandalismo, este movimento, que se intitula como “pacífico e apartidário”, defende também o combate contra a corrupção.

A lista das manifestações dos “coletes amarelos” na área de atuação da PSP somava 25 protestos em 17 locais das principais cidades do país.