A visita de dois dias do ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Avigor Liberman, a Lisboa foi contestada esta tarde numa concentração promovida em frente ao Parlamento por diversas organizações pró-palestinianas, noticia a Lusa.

Cerca de 25 pessoas com bandeiras da Palestina ao vento discutiam em pequenos grupos a situação no Médio Oriente e exibiam duas faixas, uma da organização «PAGAN Anti-Guerra Anti-NATO», outra que denunciava o objectivo do protesto: «Contra o apartheid israelita. Solidariedade com a Palestina».

As posições públicas defendidas pelo chefe da diplomacia israelita - que estava, em simultâneo, a ser recebido na residência oficial de São Bento pelo primeiro-ministro, José Sócrates - permitiram a convergência da generalidade das críticas.

«É uma vergonha que Portugal receba uma pessoa como Liberman, que mesmo em Israel é considerado xenófobo e racista», sublinhou Shad Wadi, uma jovem palestiniana que decidiu juntar-se ao protesto. «Portugal condenou os crimes de guerra cometidos por Israel e não faz sentido receber Liberman de braços abertos», frisou.

Alan Stoleroff, judeu e professor no ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa), também optou por se exprimir. «Venho aqui para pedir firmeza do Governo português face às tentativas de Liberman em tentar convencer que, para a resolução do conflito entre Israel e a Palestina, existem outras soluções à margem do consenso e do direito internacional».

O antigo dirigente da UDP, major Mário Tomé, que erguia uma pequena bandeira palestiniana, mostrou-se contundente. «A Portugal chegou um facínora, que ameaça os próprios palestinianos israelitas de os afogar no Mar Morto. E é ministro dos Negócios Estrangeiros de um país que despreza todas as resoluções da comunidade internacional», acusou.

O líder do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, acabou por se juntar à concentração após descer as longas escadarias de São Bento.

«Tínhamos que estar aqui em solidariedade com cidadãos e cidadãs que querem exprimir a sua indignação contra a visita totalmente indesejável de um homem que tem caracterizado as suas posições públicas por xenofobia, racismo, por planos de expulsão dos cidadãos árabes e pela exigência de juramentos de fidelidade ao Estado de Israel», precisou.

Após acusar Liberman de fomentar «uma verdadeira política de apartheid», o líder parlamentar do BE sugeriu «estas pessoas não são bem-vindas a Portugal».

O dirigente do BE defendeu, pelo contrário, «a necessidade de dar espaço ao princípio de dois Estados em coexistência pacífica».

Nesse sentido, José Manuel Pureza recordou a iniciativa do seu grupo parlamentar, que propôs para 10 de Fevereiro o debate de um projecto de resolução que recomenda ao Governo o reconhecimento do Estado da Palestina com as fronteiras anteriores a 1967. «Isso sim, isso é contribuir par a paz», asseverou.
Redação