Cerca de uma centena de bolseiros de investigação científica protestaram, esta quarta-feira, em Coimbra, contra «as políticas da Fundação para a Ciência e Tecnologia» (FCT) e do Governo, designadamente, de «precarização do trabalho científico».

O protesto, ao início da tarde de hoje, na Praça Dom Dinis, no Polo I da Universidade de Coimbra, integra-se na campanha que a Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) está a desenvolver, em todo o pais, durante o mês de maio, para «relembrar ao Ministério da Educação e Ciência (MEC) e ao Governo que não se pode continuar a fazer ciência da forma como se tem feito em Portugal».

Os bolseiros de investigação científica são «trabalhadores qualificados», que «trabalham sem contrato há vários anos» e que vivem sistematicamente da bolsa», que umas vezes não é renovada e quando é obriga, frequentemente, os bolseiros a estarem «meses sem [a] receberem», sublinhou, à agência Lusa, João Pedro Ferreira, da ABIC.

«Para se fazer ciência de qualidade, para se continuar a ter os melhores quadros em Portugal», é necessário dar aos bolseiros de investigação científica «estabilidade a longo prazo» e condições de trabalho, sustenta.

«Sem contrato de trabalho», os bolseiros não têm «acesso uma segurança social digna», afirma João Pedro Ferreira, salientando que a aquela de que dispõem não os «protege minimamente em situação de doença, de descontos para a reforma, de maternidade/paternidade».

O Governo, «como noutras áreas do Estado», está, «também na ciência, a cortar drasticamente» no orçamento para o setor e «a pôr em causa a investigação científica», adverte o dirigente da ABIC.

O protesto de hoje, em Coimbra, constou da recolha de postais, nos quais os bolseiros referem a sua situação laboral, e da exibição de folhas de papel, indicando o número de anos que cada um está a trabalhar sem contrato ¿ de acordo com as folhas exibidas há quem esteja nesta situação há 14 anos.

Nos postais, a entregar, em junho, à FCT, cada bolseiro dá conta da sua situação, designadamente, sobre a quantidade de meses que está sem receber a bolsa, condições de acesso à segurança social, se leciona «sem direitos e sem remuneração¿, se lhe foi reduzido o apoio para a realização de doutoramento no estrangeiro», entre outras questões.

A iniciativa insere-se numa campanha a nível nacional, subordinada ao lema «O futuro não se constrói com ciência precária», promovida pela ABIC, que pretende, durante o mês de maio, «alertar os bolseiros de investigação» para as «políticas da FCT e do MEC», cujas «medidas mais recentes agravam ainda mais» a sua situação.

O protesto prossegue na quinta-feira, em Aveiro e em Bragança, estando previstas manifestações idênticas, até final de maio, na Covilhã, em Évora, em Lisboa e no Porto, adiantou João Pedro Ferreira.
Redação / LF