Uma psiquiatra, um oftalmologista, entre outros, nomeadamente o conhecido otorrino Mário Andrea, que estava afastado do serviço na Cruz Vermelha há largos meses. Ao todo, sabe a TVI, são sete os nomes referidos à investigação da Polícia Judiciária e do Ministério Público por vacinação indevida contra a covid-19.

Médicos, além de um terapeuta da fala, que terão sido favorecidos e passado à frente de outros clínicos e enfermeiros que estavam definidos como prioritários por fazerem parte da chamada linha da frente.

O responsável por tudo isto é apontado à Justiça como sendo Manuel Pedro Magalhães, até aqui diretor clínico do hospital da Cruz Vermelha, que se demitiu. À TVI, logo após a demissão no dia 4, o médico fez apenas referência a um caso de vacinação indevida, que justificou como sendo um lapso.

No processo judicial em curso, titulado pelo DIAP de Lisboa, é denunciado que Manuel Pedro Magalhães faltou à verdade nas declarações feitas à TVI. Há referências feitas por enfermeiros a vários casos de vacinação indevida, com indicações de que tenham ocorrido por decisão do diretor clínico. Seriam, entre outros, os casos do cirurgião guineense Mário Mendes, que presta serviço no Hospital de Santa Maria, referido como pessoa próxima de Manuel Pedro Magalhães. Tal como o professor Mário Andreia, afastado do serviço na Cruz Vermelha e, consequentemente, da linha da frente. Fazem parte de um lote de pessoas denunciadas por terem sido chamadas a tomar a primeira dose da vacina antes de funcionários da linha da frente, sobretudo enfermeiros.  

Confrontado agora pela TVI com as diferenças entre as justificações que deu e o que efetivamente terá ocorrido, Manuel Pedro Magalhães não quis fazer mais comentários sobre o assunto.

O caso da Cruz Vermelha, recorde-se, teve consequências políticas, com a demissão do próprio coordenador do plano nacional de vacinação da covid-19, a chamada ‘task force’. Francisco Ramos pôs aquele lugar à disposição porque, simultaneamente, presidia à comissão executiva da Cruz Vermelha, onde ele próprio detetou as irregularidades.

Saiu da ‘task force’, mas não do cargo na Cruz Vermelha, onde as únicas demissões conhecidas são as do diretor clínico Manuel Pedro Magalhães e da enfermeira diretora daquele hospital.       

A unidade de combate à corrupção da PJ visa facilitadores e beneficiados em casos de vacinação indevida. No caso da Cruz Vermelha, Manuel Pedro Magalhães deverá ser constituído arguido por suspeitas de abuso de poder, enquanto as pessoas alegadamente beneficiadas responderão por recebimento indevido de vantagem.

Será assim neste processo, e em todas as outras frentes que a PJ e o Ministério Público têm abertas de norte a sul. são os casos de hospitais, do INEM, de autarquias e de misericórdias, entre outros.

Ao todo, a Procuradoria-geral da República já confirmou a existência de 33 inquéritos-crime.

Henrique Machado