A TVI sabe que Proença de Carvalho, teve pelo menos 10 reuniões com  o antigo magistrado, 9 das quais, terão ocorrido praticamente um ano antes de ter sido detido. 

Está tudo escrito na agenda do seu telemóvel, apreeendido pela polícia Judiciária, no dia em que fez buscas à casa de Orlando Figueira.
Ganha assim cada vez mais força a tese do Procurador, que Proença de Carvalho terá tentado comprar o seu silêncio com o objetivo de proteger o banqueiro Carlos Silva, Vice Presidente do Millennium BCP.

As 10 reuniões

Na agenda do telemóvel de Orlando Figueira estão dia e hora das várias reuniões que terá tido com Proença de Carvalho. Pelo menos 10, registadas como lembretes. 

A primeira, terá ocorrido a 5 de Maio de 2015. O antigo magistrado tinha ficado a saber há pouco mais de um mês que estava a ser investigado.

Terá sido Iglésias Soares, um dos administradores do Millennium, A informá-lo que teria  chegado ao banco um pedido de informacões bancárias a seu respeito , sugerindo-lhe por isso mesmo, encontrar-se com Proença de Carvalho, advogado de Carlos Silva,Vice Presidente do Millennium Bcp. Precisamente o homem que levou Orlando Figueira a sair da magistratura e que segundo o Procurador, o teria convidado a ir trabalhar para Angola

Segue-se a reunião de 18 de Maio, também ela registada. Mais uma vez, o encontro terá ocorrido no escritório de Proença. Apenas advogado e Procurador, estiveram presentes.

Em discussão, o problema dos impostos em divida, que poderiam configurar os crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais. 
Proença de Carvalho ter-lhe-á mesmo dito que Carlos Silva estaria disposto a pagar esses valores, garantindo desta forma o silêncio do Procurador 

A reunião continua no dia seguinte, ou seja, a 19 de Maio, para depois se encontrarem novamente a 25 e ainda a 28.

Em cima da mesa, um acordo de revogação do contrato de trabalho, que implicava da parte de Carlos Silva, assumir o pagamenmto de todas as quantias em dívida; o pagamento também de 210 mil dólares para ser ressarcido dos danos morais sofridos; e ainda 150 mil dólares de  férias vencidas e não gozadas.

Em contrapartida, Orlando Figueira, nunca falaria do nome de Carlos Silva, omitindo desta forma ter sido o banqueiro a ordenar as transferencias de parte dos 763 mil euros que o Ministério Público julga serem o pagamento de luvas.

O Procurador teria ainda que se comprometer em não falar também no nome de Proença de Carvalho, nem tão pouco de uma conta de Andorra. Uma espécie de acordo de cavalheiros que segundo o antigo magistrado, teria um único objetivo: proteger o banqueiro Carlos Silva

Seguem-se mais quatro reuniões: a 11 e 16 de de junho; e ainda a 16 e 29 de julho. Todas realizads no escritório de Proença de Carvalho e terão servido para Orlando Figueira, pressionar o Vice do Millennium BCP a transferir as verbas a que se comprometera quando foi assinado o acordo de revogação do contrato de trabalho.

Na última desse ano, terá estado mesmo presente, garante o Procurador, Manuel António da Costa, administrador da Primagest- o homem que Orlando Figueira acredita ser o testa de ferro de Carlos Silva

Escuta no dia da prisão

Segue-se a prisão do magistrado a 23 de Fevereiro de 2016

Nesse dia, Procurador e Proença , são apanhados numa escuta.

Na breve conversa entre os dois, o advogado reconhece que teve uma intervenção recente em algo, que embora não seja referido, acaba por ligá-lo ao antigo masgistrado

Orlando Figueira - “Hoje de manhã fui surpreendido com uma busca á minha casa…irei ser detido e gostaria de ter a assistência do Sr. Dr.

 

Proença de Carvalho - “Oh Sr. Dr, eu penso com toda a franqueza que eu não acho a melhor forma, está a ver?

Como sabe, a minha intervenção foi mais recente e para eu poder ser útil nessa matéria, acho que não me parece que seja conveniente”

Perante a nega de Proença, porque não era conveniente,  é nesta altura que aparece em cena,  Paulo Sá e Cunha, um dois mais influentes e mais caros  juristas do país, cujos honorários, garante  o Procurador, terão sido pagos pelo banqueiro Carlos Silva.

Orlando Figueira - “Numa das primeiras vezes que o Dr. Paulo Sá e Cunha me foi visitar à prisão de Évora, disse-me para não me preocupar com o pagamento de honorários, pois o Dr. Daniel Proença de Carvalho dissera-lhe que, em nome do Dr. Carlos Silva, lhe asseguraria esse pagamento”

Uma forma, de o terem na mão, diz o antigo magistrado, que teria como objetivo, condicionar a sua defesa, controlando desta forma, tudo o que viesse a ser dito pelo arguiddo.

O encontro entre os três

Não é por isso de estranhar o registo na agenda do procurador de mais um encontro com Proença, desta vez entre os três.

Neste caso, a nota registada, é mais pormenorizada. Pode ler-se a data: 14 de setembro de 2017. 15H Reunião PSC, ou seja, Paulo Sá Cunha e ainda autorizada saída e presença da Pomba, pelo que conseguimos apurar, nome codificado para Proença de Carvalho.

Cruzando a informação, consegue-se de facto provar que Orlando Figueira, que nesta altura se encontrava em prisão domiciliária com pulseira electrónica, terá então pedido à juíza, autorização para sair de casa, precisamente naquele dia, a fim de se poder deslocar ao escritório dos seus advogados

Mas o namoro entre os três não iria durar muito mais. Orlando Figueira quer contar tudo o que sabe. Paulo Sá e Cunha acaba por renunciar do mandato.

Sem dinheiro para pagar a um advogado, o antigo procurador passa então a ser representado por Carla Marinho-advogada oficiosa.

As ligações de Proença a este caso, não se ficam no entanto por aqui. Uma parte daquilo que a acusação considera serem luvas, terá sido aprovado pela filha do advogado, administradora do banco Atlântico Europa, liderado por Carlos Silva.

Em causa, um empréstimo de 130 mil euros que o Procurador garante ter sido feito para pagar tornas à mulher pelo divorcio, aprovado por Graça Proença de Carvalho

O banco chegou mesmo a ser constituido arguido na fase de inquérito da operação Fizz, mas acabou por não chegar a julgamento.

O mesmso aconteceu com o banqueiro Carlos Silva, que apesar das suspeitas dos investigadores, nunca chegou a ser constituído arguido.