A jornalista Manuela Moura Guedes disse, esta sexta-feira, não ter ficado surpreendida com a manchete do jornal «Sol», sobre um alegado plano do Governo para controlar os media. A jornalista considerou ser caso para o Presidente da República intervir.



«O que aqui está [no semanário Sol] não me causa nenhuma surpresa porque era aquilo que eu pensava e tinha a certeza que tinha acontecido. Finalmente as pessoas vão ficar a perceber e a ter a certeza sobre o que de facto aconteceu», disse, em declarações à agência Lusa.

Face Oculta: escutas nos jornais são «ridículas»

A jornalista da TVI disse que só lamenta «que tenha demorado tanto tempo e que seja preciso isto tudo para que as pessoas tenham a certeza do que aconteceu». Manuela Moura Guedes defendeu que as escutas transcritas «não deixam margem para dúvidas sobre a máquina que trabalha sob as ordens deste Governo, que já não devia ser Governo».

«Eu espero que o Presidente da República mande chamar o primeiro-ministro para o demitir, porque se assim não for não estamos a viver numa democracia», afirmou, acrescentando que Cavaco Silva «só tem uma solução ou então também não pode ser Presidente da República».

Para a jornalista, os despachos publicados no Sol são de órgãos - «um procurador e um juiz» - que «merecem toda a credibilidade». «O juiz reforçou o despacho do procurador. Gostaria de saber o que é que poderá dizer o procurador-geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça sobre isto», afirmou, lembrando ainda que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) «só tem uma solução face a estas escutas que é dizer que houve ingerência do poder político, como é óbvio».

A edição desta sexta-feira do semanário «Sol» transcreve extractos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que este considera haver «indícios muito fortes da existência de um plano», envolvendo o primeiro-ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz. Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT.
Redação / MM