Os deputados da comissão parlamentar de Cultura visitam, a 04 de outubro, a exposição dedicada a Robert Mapplethorpe, no Museu de Serralves, no Porto, a convite da administração, disse hoje à agência Lusa a deputada socialista Carla Sousa.

A vista a Serralves ficou definida depois de aprovados, pela comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, os requerimentos do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Socialista (PS), para a realização de audições do diretor demissionário do museu, João Ribas, e da administração do Museu de Serralves, respetivamente.

O requerimento do BE foi aprovado por unanimidade e o do PS com os votos contra do BE, referiu a deputada. Ainda não há datas agendadas para as audições parlamentares, que devem no entanto realizar-se após a visita a Serralves.

De acordo com a coordenadora do PS na comissão parlamentar de Cultura, a visita a Serralves resulta de um convite feito pela presidente do conselho de administração da fundação, Ana Pinho.

O grupo parlamentar do PS propôs, na passada segunda-feira, à comissão parlamentar de Cultura, a audição da administração de Serralves e uma visita à exposição do fotógrafo norte-americano, com o objetivo de conhecer o percurso expositivo, a sinalética e de ouvir a administração da Fundação.

O BE propusera a audição do diretor do museu no parlamento, no sábado passado.

O diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves demitiu-se na passada sexta-feira, após a inauguração da mostra “Robert Mapplethorpe: Pictures”, que comissariou, por entender que não tinha condições para prosseguir o trabalho, depois de terem sido definidas zonas reservadas na exposição, e de o universo ter sido reduzido de 179 para 159 obras.

Fotografias de nus, flores, retratos de artistas como Patti Smith ou Iggy Pop, e imagens de cariz sexual compõem a primeira exposição em Portugal do fotógrafo norte-americano, que, nos primeiros dias da exposição, incluía ainda uma sala reservada a maiores de 18 anos, com obras consideradas mais sensíveis.

Ribas disse, num comunicado divulgado na quarta-feira, ter-se demitido por entender que "não é admissível que a liberdade e a autonomia do diretor sejam desrespeitadas", defendendo que o cargo “é incompatível com ingerências, pressões ou imposições que limitem a sua autonomia técnica e artística”.

O curador adiantou que, ao programar “Pictures”, de Mapplethorpe, “restrições e intervenções" levaram a "um ponto de rotura, em termos de autonomia artística".

Essas restrições, segundo Ribas, tiveram consequências na “conceptualização expositiva, nomeadamente na semana de montagem”, e obrigaram a “sucessivas reorganizações”, nomeadamente “na exibição de determinadas obras e na localização de outras”, o que levou a uma “descontextualização profunda” da mostra.

Isso obrigou a uma alteração dos trabalhos selecionados, “para que a exposição fosse um todo coerente e para que, assim, se promovesse de modo adequado o conhecimento e o diálogo social protagonizados por Robert Mapplethorpe”.

Segundo o diretor demissionário, estavam selecionadas para exposição 179 obras, mas esse número teve assim de ser reduzido para 161, pelas interferências e, depois, “no dia da inauguração”, de novo limitada a 159.

O conselho de administração da Fundação de Serralves, por seu lado, garantiu não ter mandado retirar qualquer obra da exposição do fotógrafo Robert Mapplethorpe, num encontro tido com a imprensa, na quarta-feira.

“Em Serralves não há, nem nunca houve censura, nem nunca sob a nossa responsabilidade haverá censura. Mas também não haverá complacência com a falta de verdade, nem fuga às responsabilidades”, disse a presidente de Serralves, Ana Pinho.

Desde a inauguração e até domingo, a exposição dedicada a Robert Mapplethorpe recebeu perto de 6.000 visitantes, batendo recordes de público nos primeiros quatro dias, segundo fonte da instituição.