O Presidente da República disse este sábado compreender o cansaço sentido pelos profissionais de saúde e pelos portugueses para enfrentarem um “esforço que está a ser muito mais longo do que se pensava”, lembrando que a saúde vai “além da covid-19”.

Saúde não é igual a covid-19. A covid-19 é neste momento uma urgência no quadro da saúde, mas há mais saúde para além da covid-19”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República, que falava aos jornalistas à margem de uma audiência, no Porto, com a Federação Portuguesa de Ciclismo, disse compreender “perfeitamente” o desgaste e cansaço que os portugueses e profissionais de saúde sentem “perante uma situação imprevisível na dimensão e nos contornos”.

Contudo, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que os profissionais de saúde em momento algum “sacrificam a vida e saúde dos portugueses” e que, nesse sentido, “há que encontrar formas de ir enfrentando o que é mais longo e mais difícil do que se pensava”.

“Ir enfrentando, procurando não sacrificar os doentes não covid-19, mas olhando, obviamente, para o que tem sido a evolução da covid-19 nos últimos dias e semanas”, salientou o chefe de Estado, acrescentando que para isso são precisas “condições que permitam enfrentar por mais tempo aquilo que ultrapassou as expectativas em termos de desafio”.

Ao mesmo tempo, temos a certeza, porque não temos um profissional de saúde que se recuse a ter como objetivo cimeiro o serviço da vida e da saúde dos portugueses. Daí a sua abnegação, há um lado de abnegação que não tem preço (…). Eles [profissionais de saúde], a última coisa que vão sacrificar é a vida e saúde de um qualquer português”, afirmou.

No dia em que se celebra a Saúde Mental, Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que as situações de stresse e pressões psicológicas a que os portugueses têm vindo a ser sujeitos ao longo destes sete meses são “o exemplo vivo da importância da saúde mental no nosso país”.

Antes da audiência com a Federação Portuguesa de Ciclismo, onde esteve presente o vencedor da Volta a Portugal Edição Especial, Amaro Antunes, o Presidente da República homenageou com a Ordem de Mérito os médicos Miguel Abreu e Ana Mendes, o enfermeiro Domingos Dieguez e a auxiliar Maria da Conceição Pinto, do Hospital de Santo António, no Porto.

Na sessão, Marcelo Rebelo de Sousa destacou “o grau de dedicação” de todos os profissionais que têm estado mobilizados “nesta tarefa nacional relacionada com a pandemia”.

“É um duplo agradecimento, um duplo louvor que vos transmito a vós e a milhares de profissionais de saúde em nome de todos os portugueses. É um incentivo, porque a pandemia não acabou. É um incentivo e o desafio de que a saúde em Portugal nunca acabará”, sublinhou.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e sessenta e nove mil mortos e perto de 37 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.067 pessoas dos 85.574 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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