O Presidente da República disse esta terça-feira temer que a perceção da sociedade sobre o 13 de outubro, em Fátima, com 50 mil pessoas, seja menos positiva do que a das autoridades envolvidas, perante o aumento de infetados por covid-19.

Deus queira que eu me engane relativamente ao facto de se entender que 50 mil pessoas, no dia 13 de outubro, é uma realidade. Não é que [esse número] não respeite as regras sanitárias (…), não é que não revele um grande esforço de organização. Mas quanto à perceção que tem a sociedade portuguesa, relativamente ao momento vivido, e ao que significa, no momento vivido, [a presença de] 50 mil pessoas”, sublinhou.

Marcelo Rebelo de Sousa respondia assim quando questionado pelos jornalistas sobre a concentração de fiéis no Santuário de Fátima, cujo acesso foi bloqueado, no domingo, depois de ter atingido a lotação máxima permitida no contexto da pandemia de covid-19.

Na altura, a porta-voz do santuário, Carmo Rodeia, quando questionada pela agência Lusa, disse que a lotação máxima do local obedece às orientações acertadas entre a Conferência Episcopal Portuguesa e a Direção-Geral da Saúde, e corresponde a “um terço do espaço” que normalmente estava acessível aos peregrinos antes da pandemia.

Segundo dados indicados pela instituição à agência Lusa, em 2017, quando da visita do Papa Francisco a Portugal, "o santuário tem cerca de 72 mil quadrados, 30 mil dos quais correspondem ao recinto de oração".

O número de 50 mil peregrinos, citados por Marcelo Rebelo de Sousa, tem origem numa notícia do jornal Correio da Manhã, que o indica como lotação máxima permitida pela Direção-Geral da Saúde (DGS), no Santuário de Fátima, na peregrinação aniversária de outubro.

Assumindo-se como “católico e 'fatimista'”, Marcelo sublinhou, contudo, que “não é disso que se trata”, referindo-se às regras sanitárias, mas “da perceção da sociedade num momento em que há 400, 500, 600 ou ligeiramente mais casos por dia”, advertiu, salientando que esta era a preocupação que tinha em relação à Festa do Avante!.

Quando foi da Festa do Avante! eu até fui muito mal-entendido porque não pus em causa nem a competência jurídica da Direção-Geral da Saúde, para definir regras, nem a preocupação do Partido Comunista Português [PCP]", afirmou o chefe de Estado à margem de uma visita ao Porto.

Aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que, quando comentou a Festa do Avante!, referia-se à perceção externa da sociedade num momento que o país atravessa por conta da pandemia de covid-19, não pretendendo pôr em causa as duas instituições, nomeadamente o PCP, que lhe facultou o acesso ao Plano de Contingência, onde verificou que “foi muito grande o cuidado do Partido Comunista para cumprir a regras sanitárias”.

Se fosse num momento de 100 casos por dia, tenderem para ser 50, um fenómeno a desaparecer... Agora num momento é que a tendência é para subir [o número de casos] e não para descer, a minha preocupação era que a perceção não [fosse] tão positiva quanto a DGS e o PCP entendiam. Eu até disse humildemente: (…) 'Deus queira que eu me engane'”, afirmou.

Na segunda-feira, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, revelou que os responsáveis pelo Santuário de Fátima vão reunir-se com o Ministério da Saúde, “o mais rapidamente possível”, face à ”preocupação acrescida” da instituição com os aglomerados de pessoas no recinto.

Na conferência de imprensa regular de atualização dos números da covid-19 em Portugal, o secretário de Estado disse ainda ser importante que, no próximo dia 13 de outubro, quando se realiza mais uma peregrinação, a instituição esteja “devidamente prevenida e preparada”, devendo programar essa data “de forma a garantir a segurança da comunidade e a respeitar a Direção-Geral da Saúde”.

Em Portugal, morreram 1.875 pessoas dos 65.021 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

/ AG