O Presidente da República lamentou este sábado a morte de Nuno Brederode Santos, considerando que os portugueses sentirão falta da sua voz independente e crítica e que a melhor forma de o homenagear é cultivar o civismo esclarecido.

O cronista Nuno Brederode dos Santos morreu de manhã, aos 73 anos, de doença prolongada, no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, onde estava internado há duas semanas.

Numa nota enviada à agência Lusa, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamenta a "triste notícia" da sua morte e apresenta as "mais sentidas condolências" à família de Nuno Brederode Santos.

Nuno Brederode Santos foi uma personalidade que marcou de forma discreta, mas profunda, os caminhos da democracia portuguesa, pela inteligência e pela argúcia do seu olhar sobre a realidade, pela capacidade analítica e lucidez das suas reflexões e pela elegância da sua escrita, onde ecoava a sua suave ironia e o seu irreprimível sentido de humor", refere.

O chefe de Estado recorda-o como "homem de inabaláveis convicções democráticas" que "manteve sempre a sua fidelidade aos princípios do socialismo europeu e aos valores do Estado de direito, da liberdade e da justiça".

Marcelo Rebelo de Sousa afirma que "os portugueses sentirão a falta da sua voz independente e crítica, nunca esquecendo o patriotismo e o sentido de amor a Portugal que nortearam a vida de Nuno Brederode Santos".

A melhor forma de homenagearmos a sua memória - a memória de um homem bom, de quem tive o privilégio de ser amigo - é cultivarmos o civismo esclarecido e o são convívio democrático, no respeito pelas convicções alheias e pela diversidade de opiniões, e na certeza de que o diálogo e a elevação constituem regras basilares de funcionamento de uma democracia pluralista e amadurecida", acrescenta.

"Um grande e velho amigo"

O ex-presidente da República Jorge Sampaio lembrou o cronista Nuno Brederode dos Santos como um “analista político de enorme capacidade de visão e previsão”, destacando o seu “apurado espírito crítico e aguçado sentido de humor”.

Acabo de perder um grande e velho amigo, muito próximo, companheiro de inúmeras lutas e que foi sempre um sólido e firme apoio ao longo da minha vida política, nomeadamente aquando da minha candidatura à presidência da República e durante os meus dois mandatos presidenciais”, refere Jorge Sampaio, num depoimento enviado à agência Lusa.

O antigo presidente da República considera Nuno Brederode dos Santos um “jurista de grande gabarito, observador atento da vida portuguesa, analista político de enorme capacidade de visão e previsão, dotado de uma inteligência fulgurante”.

Para Jorge Sampaio, o cronista, que foi seu conselheiro político entre 1996 e 2006, tinha uma “vasta cultura de leitor insaciável, um talento único para encontrar as palavras certas ou formulações” e “o dom de não deixar mais nada por dizer”.

Nuno Brederode dos Santos foi um homem de convicções fortes, de ideais e princípios republicanos e de esquerda inabaláveis. Foi sempre uma pessoa muito disponível, solidária e a enorme liberdade com que desenhou e deu rumo à sua vida, permitiu-lhe abrigar nela longas e sólidas amizades”, sublinha, acrescentando que a sua morte “abre uma enorme e dolorosa cratera na trama do tempo que faz e desfaz as vidas humanas”.

Crónicas na imprensa

Nuno Brederode dos Santos nasceu em Lisboa em 14 de dezembro de 1944. Ficou conhecido pelas suas crónicas no semanário Expresso, que escreveu ao longo de 17 anos, tendo posteriormente passado para o jornal Diário de Notícias, entre 2006 e 2009.

Pelas suas crónicas no Expresso, ganhou o Prémio Gazeta Crónica, do Clube de Jornalistas, em 1990. No mesmo ano publicou uma coletânea dessas crónicas no livro "Rumor Civil".

Fez a sua vida profissional no Instituto de Participações do Estado, filiou-se no Partido Socialista em 1977 e foi conselheiro político do Presidente da República, Jorge Sampaio, entre 1996 e 2006.

Nuno Brederode dos Santos foi companheiro da atriz Maria do Céu Guerra nos últimos 20 anos.

O funeral do cronista Nuno Brederode dos Santos realiza-se na segunda-feira, 1 de maio, para o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

O velório decorrerá a partir das 15:00 de domingo no Museu da Cidade, de onde partirá o funeral no dia seguinte, também às 15:00, para o Cemitério dos Prazeres.