(ÚLTIMA ACTUALIZAÇÃO ÀS 13:15)

O advogado de Leonor Cipriano, Marcos Aragão Correia, foi esta quinta-feira suspenso preventivamente de funções, na sequência de uma queixa apresentada por António Cabrita, advogado do ex-inspector da PJ, Gonçalo Amaral, que se encontra a ser julgado no Tribunal de Faro, no processo de agressões à mãe de Joana, durante um interrogatório na PJ.

A informação foi adiantada ao IOLPortugalDiário pelo advogado Marcos Correia, que acrescentou: «Já falei com o senhor bastonário da Ordem dos Advogados e a questão já vai ser desbloqueada».

Marcos Correia garantia que hoje ainda iria participar no tribunal de Faro na continuação do julgamento das alegadas torturas de elementos da PJ à sua cliente. Mas de acordo com a agência Lusa, o juiz Henrique Pavão recusou o pedido do causídico para participar na audiência, ordenando-lhe que abandonasse a sala.

«O doutor vai sair a bem ou a mal desta sala de audiências», declarou o juiz.

Marcos Aragão Correia acatou a ordem do juiz mas dirigiu-se à secção central e de serviço externo do tribunal para elaborar um requerimento.

O advogado de Leonor Cipriano acusou de parcialidade o presidente do colectivo de juízes do julgamento, Henrique Pavão, sobre alegadas agressões à sua cliente e anunciou que vai pedir a anulação da audiência de hoje.

«Vou meter um queixa ao Conselho Superior de Magistratura contra o presidente do colectivo de juízes», disse.

Para justificar a «atitude parcial» do juiz, o advogado disse que o magistrado recusou 40 requerimentos da assistente Leonor Cipriano, só permitindo ouvir a directora do Estabelecimento da Prisional de Odemira, Ana Maria Calado.

A sessão foi retomada com Leonor Cipriano a ser patrocinada por uma advogada oficiosa. O Tribunal está hoje a ouvir Ana Maria Calado, directora do Estabelecimento Prisional de Odemira, onde Leonor Cipriano se encontra a cumprir 16 anos de cadeia pelo homicídio da filha Joana.

O advogado de Leonor Cipriano foi notificado esta manhã através do Conselho Distrital do Algarve da Ordem dos Advogados, a que o advogado de Gonçalo Amaral preside, da decisão tomada pelo Conselho de Deontologia da Madeira, domicílio profissional do causídico suspenso.



Contactado o responsável pelo Conselho de Deontologia da Madeira, António Pinheiro Gonçalves confirmou ao IOLPortugalDiário a existência de um processo disciplinar que resultou na suspensão preventiva do advogado. O causídico não quis adiantar mais pormenores, alegando que o processo é sigiloso.

De acordo com Marcos Correia, a suspensão provisória tinha sido determinada pela impossibilidade de notificar o advogado no escritório da Madeira. «A Ordem alegava que eu não tinha notificado a nova morada profissional em Portimão. Falei com o senhor bastonário, enviei um fax para o Conselho Geral da Ordem e para o conselho distrital da Madeira». A situação «ficava automaticamente resolvida, mas a verdade é que o juiz nem sequer quis ver as cópias dos faxes», indigna-se.



Em causa está, segundo Marcos Correia, uma participação do colega António Cabrita «relacionada com várias declarações injuriosas e de cariz ameaçador que eu teria feito fora da sala de audiências visando Gonçalo Amaral», refere.

O advogado António Cabrita negou, em declarações à Lusa, ter feito qualquer queixa de Aragão Correia à Ordem dos Advogados enquanto assistente de Leonor Cipriano, mas recusou afirmar se tinha feito qualquer outra queixa fora do contexto do julgamento.

Recorde-se que na última sessão, o advogado de Leonor leu um documento em que a mãe da menor revelava factos novos e acusava o irmão de ser o único responsável pela morte de Joana.
Cláudia Rosenbusch