“Ardência” para os pescadores, “bioluminescência” para os cientistas. As águas da praia de Vila Chã, em Vila do Conde, brilharam em tons de azul na passada sexta-feira, 20 de agosto, num fenómeno conhecido como “maré bioluminescente”.

Há mais de um ano que Bruno Costa esperava voltar a viver este momento. A primeira maré deste género que presenciou foi em julho de 2020, exatamente na mesma praia. O fotógrafo contou à TVI24 que “ao pisar a areia, via luz a sair debaixo dos pés, algo incrível”

Nas imagens captadas, apresentadas na galeria acima, é possível ver este fenómeno junto à zona de rebentação do mar, algo que fascinou Bruno, uma vez que “normalmente é algo visto em alto mar pelos pescadores”, explicou. 

De acordo com a National Geographic, a bioluminescência é uma luz produzida por uma reação química dentro de um organismo vivo. Muitas das vezes isto acontece quando existem alterações no ambiente que forçam as algas bioluminescentes a brilhar. 

Noctiluca scintillans é um desses organismos bioluminescentes, cuja ocorrência é mais comum nas regiões costeiras onde, durante anos, foi denominado pelos pescadores como “brilho do mar”, segundo explica a enciclopédia Brittanica. Neste fenómeno, a energia química é convertida em energia radiante sem libertar calor durante o processo, daí ser denominada “luz fria” ou “luminescência”. 

Em muitos países tropicais isto acontece várias vezes ao ano, em Portugal o fenómeno não é tão frequente, mas continua a surpreender aqueles que o observam. Tal como Bruno Costa explicou, “é de facto um novo padrão de beleza, um cenário lindo”, ideal para fotografar.

Rita Cerqueira