A psicoterapeuta e professora catedrática Margarida Gaspar de Matos foi a pessoa escolhida para coordenar a task force de Ciências Comportamentais, criada em plena pandemia de covid-19 para analisar o comportamento dos portugueses.

Numa entrevista conduzida por Miguel Sousa Tavares, e numa altura em que Portugal deu mais um passo no desconfinamento, a especialista entende que a reabertura da sociedade está a ser feita a um bom ritmo, depois de há dois meses ter pedido um desconfinamento rápido.

A maior preocupação era ter as crianças e os adolescentes em casa: "Não é sem custos que as crianças e adolescentes ficam em casa. Quanto mais confinamento mais problemas em termos de saúde mental".

Este é um problema que afeta também a generalidade da população, que tem dificuldade em lidar com a situação, refere a especialista no estudo em crianças.

Estamos todos saturados, todos a sofrer", disse, sobre o processo de confinamento e as restrições aplicadas.

Sobre a forma como essa faixa etária vai recuperar de todo o processo, Margarida Gaspar de Matos vinca que nem tudo foi mau, e que existem "ganhos" que podem ser retirados de toda a experiência.

Daqui a uns meses poderão fazer um equilíbrio entre as coisas que foram más e as coisas boas. A maioria das crianças e adolescentes vai recuperar", explicou.

Esta segunda-feira foram retomadas as aulas presenciais no Ensino Superior, mas muitas das faculdades anunciaram que o ensino vai continuar a ser à distância.

Para Margarida Gaspar de Matos, há um foco no melhor modelo de ensino, até porque muitos estudantes faltavam às aulas presenciais, porque havia sempre casos de isolamento ou de pessoas com receio da infeção.

António Guimarães