João Rendeiro, antigo presidente do Banco Privado Português condenado cinco anos de prisão efetiva, afirmou ao SAPO24 que a sua mulher, Maria de Jesus Rendeiro, “pensava que já não era” a fiel depositária da sua coleção de arte e que “só um erro do advogado” levou a que ainda fosse.

Como é evidente, era fiel depositária só de nome. Aliás, pensava que já não era", pode ler-se.

Rendeiro alega ter instruído um advogado “para passar a guarda dos bens” para o seu nome, mas que este se terá esquecido de o ter feito neste processo.

Um advogado foi instruído para passar a guarda dos bens para meu nome. Fê-lo num processo, mas esqueceu-se de o fazer neste. A Maria ficou apenas como fiel depositária porque, na altura, eu estava no estrangeiro", afirmou.

João Rendeiro não desmente a falsificação ou descaminho das obras-de-arte, no entanto, garante que "o que quer que houvesse foi responsabilidade minha".

Maria de Jesus Rendeiro está em prisão domiciliária com pulseira eletrónica. A mulher do banqueiro está acusada pelos crimes de falsificação, descaminho e branqueamento de capitais, mulher de João Rendeiro fica agora também indiciada por desobediência.

A juíza considerou que se verificam os perigos de fuga; perigo de perturbação do inquérito, nomeadamente para a aquisição, conservação e veracidade da prova; e ainda o perigo de continuação da atividade criminosa.

Maria de Jesus Rendeiro fica ainda proibida de contactar com Florêncio de Almeida e com o filho do mesmo.

A mulher de João Rendeiro era fiel depositária dos quadros arrestados ao ex-banqueiro, considerando o tribunal que esta sabia das falsificações e do desvio das obras.

O antigo presidente do Banco Privado Português (BPP) João Rendeiro, condenado no final de setembro a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por burla qualificada, está em parte incerta após ter fugido à justiça.

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, aconteceu em 2010, já depois do caso BPN e antecedendo outros escândalos na banca portuguesa.

O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, bem como processos relacionados com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancária.

Redação / JGR