A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa reconheceu esta terça-feira que os dados de saúde “são muito pretendidos” e que, por isso, devem ser protegidos para apenas serem usados para tratar melhor a saúde dos utentes.

Maria Manuel Leitão Marques falava à margem da conferência Portugal eHealth Summit, que decorre até quinta-feira em Lisboa e que contará com a participação de mais de 8.000 pessoas.

Com certeza que há muitos problemas que temos de resolver e em primeiro lugar os problemas de segurança”, disse, acrescentando: “Os dados de saúde são muito pretendidos, mas muito caros a cada um de nós”.

Para a ministra, “a ciência de dados vai ser provavelmente um desafio em muitos domínios para a administração pública, mas provavelmente aquele onde será mais importante é na saúde”, adiantou.

Maria Manuel Leitão Marques sublinhou o benefício que é possível obter do tratamento da informação, nomeadamente para o desenvolvimento da ciência, ressalvando que esta não deve ter o nome das pessoas nem permitir que identifique o titular.

Presente na cerimónia de abertura do Portugal eHealth Summit, o ministro da Saúde confirmou a aposta deste Governo na transformação digital e disse que este país é hoje um exemplo nesta matéria para outros países.

Entre os vários benefícios desta digitalização está o combate à fraude na saúde, referiu.

Sem contabilizar os ganhos obtidos com estas medidas, Adalberto Campos Fernandes frisou que estes são visíveis através de indicadores indiretos, nomeadamente as detenções e as mudanças de comportamento.

Ainda assim, o ministro disse que os ganhos são sempre na ordem das dezenas largas de milhares de euros.

“Temos hoje um sistema mais seguro, menos favorável a comportamentos inapropriados e posso dizer que a fraude de utilização abusiva da receita para a dispensa de medicamentos tem vindo a diminuir porque, por um lado, os agentes sabem que o controlo é poderoso e porque nós temos instrumentos de deteção precoce que permite evitar esse tipo de comportamentos”, adiantou.

Durante três dias, o Portugal eHealth Summit vai reunir especialistas nacionais e internacionais, envolvendo a academia, empresas empreendedoras, ‘startups’, ordens profissionais, sociedades científicas, associações de doentes, outras entidades da administração pública e representantes da área da investigação e financiamento em saúde.