O secretário-geral da Fenprof manifestou a sua concordância com a vacinação dos jovens a partir dos 12 anos mas alerta que em agosto e setembro muitas famílias se encontram de férias e por isso o processo deverá ter alguma "flexibilidade".

Mário Nogueira sublinhou que a decisão da vacinação dos mais novos deve ser tomada pela DGS:

"É uma resposta que não nos compete a nós dar, aos especialistas caberá dizer se a vacinação é ou não útil", disse.

Mas, do ponto de vista do funcionamento das escolas, parece-lhe que será útil, "porque já este ano, com muitos professores vacinados, verificou-se que muitos alunos tiveram infeção e muitas turmas ficaram em casa, voltando ao ensino à distância".

Quanto ao facto de a vacinação fazer-se no verão, "é uma situação que tem de ser acautelada com as famílias porque muitas pessoas estão de férias e por norma não estão nas localidades onde residem" a algumas podem até estar no estrangeiro.

Por esse motivo, e uma vez que o Governo anunciou que a vacinação se irá realizar aos fins de semanas em agosto e setembro, antes do início do ano letivo, Nogueira apela à task force para que haja alguma "flexibilidade" no processo e para que o facto de a pessoa não estar disponível na data indicada não ser interpretada como uma recusa".

Seria importante que se pudesse generalizar o processo de autoagendamento, não só para as datas e para locais, para que as pessoas possam escolher onde vão levar as vacinas", defendeu.

 O secretário-geral da Federação Nacional de Professores anunciou ainda a convocação de uma manifestação nacional no dia 05 de outubro, em Lisboa, na data em que se assinala o Dia Mundial do Professor.

Computadores são importantes mas não resolvem todos os problemas

Na conferência de imprensa em que fez o balanço do ano letivo que agora termina, o secretário-geral da Fenprof comentou ainda o relatório do Tribunal de Contas que critica a lentidão na aquisição de computadores para os alunos, com o objetivo de viabilizar o ensino à distância. 

"O que se passou com os computadores, tal como a Fenprof denunciou e hoje o Tribunal de Contas confirmou, é exemplo da inércia e dessa inépcia" do Governo, disse.

Faltaram os computadores no passado quando foi o o primeiro confinamento, foram prometidos para setembro mas voltaram a faltar no segundo confinamento. E anuncia-se agora a chegada de mais 600 mil computadores com o ar de felicidade de quem acha que isto terá efeitos retroativos."

"O problema com o ensino à distância esteve muito longe de se esgotar nos computadores", disse Mário Nogueira, lembrando como é difícil cumprir a necessidade de apoios a alguns alunos à distância, assim como a pouca autonomia digital dos alunos mais pequenos, a iliteraria digital nas famílias e a incapacidade das redes como outros problemas que os alunos tiveram que enfrentar neste último ano letivo.

Agora que os computadores estão a chegar, Nogueira lembra que é preciso ter mais professores de Informática e técnicos nas escolas que garantam a sua manutenção, para que os computadores possam ser usados convenientemente.

Além disso, voltou a alertar para os problemas relacionados com o envelhecimento da classe docente e para o desgaste a que os professores têm estado sujeitos. Muitos professores estão a deixar a profissão e não estão a ser substituídos, avisou.

Maria João Caetano