O último boletim clínico sobre o estado de saúde de Mário Soares, fornecido pelo Hospital da Cruz Vermelha, onde se encontra internado, é mais animador. José Barata, porta-voz do hospital, disse aos jornalistas, cerca das 19:00 desta quarta-feira, que o antigo Presidente da República se "encontra agora mais reativo a estímulos externos". 

Ao longo do dia de hoje, ocorreram alterações ligeiras no estado de consciência do doutro Mário Soares, que se encontra agora mais reativo aos estímulos externos. Iniciou-se também alimentação entérica, por sonda nasogástrica e mantêm-se estáveis os sinais vitais", disse o responsável, lendo o comunicado emitido pelo Hospital. 

José Barata sublinhou ainda que "os exames clínicos hoje efetuados pela equipa multidisciplinar não revelam agravamento dos parâmetros laboratoriais". 

O estado de saúde do doutor Mário Soares mantém-se estável, continuando nos cuidados intensivos, numa situação crítica e de prognóstico reservado."

No segundo boletim clínico do dia, divulgado pelas 13:00, José Barata escusou-se comentar o que terá motivado o antigo Presidente da República a ser internado, na terça-feira de madrugada. O porta-voz disse apenas que Mário Soares se sentiu indisposto, mas não adiantou os motivos.

Uma das visitas que hoje se deslocou ao hospital foi o antigo presidente de S. Tomé e Príncipe Miguel Trovoada, que à saída disse aos jornalistas que estando em Lisboa entendeu que "não podia deixar de dar um abraço de solidariedade e de amizade à família de Mário Soares".

Vamos seguindo com muita atenção, como muita emoção esta situação do presidente Mário Soares", disse, confidenciando que "são relações muito próximas" e que se sente "profundamente emocionado com esta situação".

Miguel Trovoada lembrou que conhece o antigo chefe de Estado português "há muitos anos" e que Mário Soares "é alguém que conhece também S. Tomé", país para o qual foi deportado sem julgamento em 1968.

Nós reatámos as relações depois do 25 de Abril, em que começámos os contactos para a descolonização. O primeiro contacto teve lugar em Londres e depois em Nova Iorque e preparámos em Lisboa as negociações de Argel, que culminaram com a assinatura dos acordos que traçaram as linhas que conduziram à independência de S. Tomé e Príncipe", recordou.

Os filhos de Mário Soares têm estado em permanência no Hospital da Cruz Vermelha, tendo recebido ao longo do dia diferentes visitas como o presidente do Conselho Económico Social, Correia de Campos (que não quis falar aos jornalistas), o ex-líder do CDS-PP Freitas do Amaral, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e o bispo Januário Torgal Ferreira.

Já Maria João Seixas - que foi mandatária de Mário Soares à Presidência da República - disse aos jornalistas que devia muita da sua liberdade ao antigo chefe de Estado, com quem tem "uma relação de amizade".

"Estou triste, mas com esperança", disse, destacando que tem "uma imensa dívida de gratidão".

Para hoje não estão agendadas mais declarações por parte do Hospital da Cruz Vermelha sobre o estado de saúde de Mário Soares, prevendo-se que o próximo boletim clínico seja divulgado na quinta-feira de manhã.

Redação