Nos últimos dois anos134 migrantes provenientes do norte de África chegaram ao Algarve, a maioria marroquinos, numa sucessão de entradas em Portugal que se repetiu esta quinta-feira com o resgate de 37 migrantes em águas internacionais, a sul da costa algarvia.

O último caso envolvendo migrantes registado na costa algarvia aconteceu em setembro de 2020, ano em que houve uma sucessão de desembarques, tendo entrado ilegalmente no país desde dezembro de 2019, e até essa altura, um total de 97 pessoas provenientes de Marrocos.

Esta quinta-feira o resgate de 37 pessoas de uma embarcação que navegava em águas internacionais, na faixa atlântica entre Vila Real de Santo António e Tavira, elevou o número de chegadas ao Algarve para 134, depois de um ano sem registo de situações semelhantes. Os migrantes resgatados são, alegadamente, na sua maioria marroquinos, segundo aquilo que os próprios disseram às autoridades já em Portimão.

Parte dos migrantes que começaram a desembarcar no Algarve desde o final de 2019 tentaram pedir asilo, mas foi-lhes negado, alguns estão em parte incerta e a maioria recebeu ordem de expulsão do país, aguardando a concretização da decisão judicial em prisões e outros locais.

O último caso envolvendo migrantes na costa algarvia tinha sido registado em setembro de 2020, quando um grupo de 29 pessoas, incluindo mulheres e crianças, desembarcou na ilha Deserta, em Faro. Duas semanas depois, 17 destes migrantes evadiram-se do quartel em Tavira onde estavam sob a guarda do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Entre dezembro de 2019 e setembro de 2020, acostaram no Algarve seis embarcações com migrantes, todos eles indocumentados e alegadamente provenientes do mesmo ponto, a cidade de El Jadida — a antiga Mazagão portuguesa —, situada na costa atlântica do país africano, a 700 quilómetros do Algarve.

A evasão de 17 dos 29 migrantes que chegaram ao Algarve em setembro de 2020 levou o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a pedir a abertura de um inquérito para apurar “as circunstâncias da referida fuga e de eventuais responsabilidades disciplinares de elementos” do SEF e da PSP.

No próprio dia, o SEF conseguiu intercetar nove dos migrantes e, nos dias seguintes, os restantes elementos que estavam em fuga foram sendo capturados, um dos quais já em território espanhol, onde terá chegado a nado. Só um não foi encontrado.

Uns meses antes, na sequência do desembarque de 22 migrantes em Vale do Lobo (Quarteira), em 15 de junho, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, afirmava numa comissão parlamentar que, perante o fluxo, Portugal não devia “cair no ridículo” ao considerar a existência de uma rede de migração ilegal para o Algarve.

A mesma opinião era partilhada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que considerou que não se podia “falar de uma rota" de imigração ilegal para o Algarve e sublinhou a importância de criar canais legais de migração entre os dois países.

O desembarque na praia de Vale do Lobo tinha sido o segundo registado no Algarve durante o mês de junho de 2020, depois de um grupo menor de sete homens ter sido detetado ao largo de Olhão no dia 06.

Em 21 de julho do ano passado, um novo grupo de 21 homens conseguiu alcançar a costa algarvia numa pequena embarcação de madeira semelhante às usadas nos desembarques anteriores, desta vez na ilha do Farol, também junto a Olhão.

O primeiro desembarque ilegal registado na costa algarvia em 2020 foi em 29 de janeiro, ao largo da ilha da Armona, em Olhão, com um grupo de 11 migrantes. Antes, em dezembro de 2019, tinha havido outro em Monte Gordo, com oito migrantes.

No entanto, o primeiro incidente do género registado na costa portuguesa aconteceu há mais de uma década, em dezembro de 2007, quando um grupo de 19 migrantes alegadamente provenientes de Marrocos desembarcou na ria Formosa, junto a Olhão.

/ PF