"Foge da confusão algarvia e descansa em França!!". Foi esta frase que o Aeroporto de Faro decidiu utilizar, numa publicação na rede social Instagram, para incentivar os portugueses a passar férias descansadas fora do país, nomeadamente, na cidade de Marselha, França. Prometiam "marinas, praias, água transparente e calor". A publicação foi, entretanto, apagada.

A polémica estalou de imediato. Foram várias as reações negativas a esta campanha publicitária. O Presidente da Turismo do Algarve, João Fernandes, numa publicação na página da empresa no Facebook, disse que condenava "veemente" aquela imagem "por atentar contra o principal destino turístico nacional". Por isso mesmo, entrou em contacto com a direção do aeroporto, que ordenou a suspensão imediata da campanha. 

Nesse sentido, e dando cumprimento à missão da entidade regional de turismo, foi contactada a direção do aeroporto que, por sua vez, ordenou a imediata cessação da referida campanha e o apuramento de responsabilidades pela divulgação da mesma", lê-se no comunicado da Turismo do Algarve. 

João Fernandes lamentou o sucedido, mas mantinha a "confiança no Aeroporto de Faro enquanto um dos principais parceiros empenhados no sucesso da operação turística no Algarve"

O PSD e o PS também não ficaram indiferentes. Cristóvão Norte, deputado do PSD eleito por Faro, classificou a publicação como um "ultraje para a região", uma "tolice" e um "desrespeito pelos algarvios"

Esta publicação atribuída ao Aeroporto de Faro é um ultraje para a região. Exortar as pessoas a fugirem da “confusão algarvia” só pode ser uma infame exibição de tolice e de desrespeito pelos algarvios", lê-se na publicação do deputado no Facebook. 

Disse ainda que dirigiu uma carta ao Presidente da ANA Aeroportos e ao diretor do Aeroporto de Faro, com conhecimento do ministro da Economia, a pedir a suspensão imediata da campanha. Em concordância, Luís Graça, em representação do PS Algarve, exigiu o mesmo: "O Presidente da Federação Regional do Algarve do Partido Socialista e deputado na Assembleia da República, Luís Graça, solicitou hoje a suspensão imediata das campanhas patrocinadas pelo Aeroporto de Faro, promovendo destinos externos em alternativa ao Algarve, tendo contactado a tutela para manifestar o seu desagrado".

Os socialistas foram mais longe, e não só lamentaram o sucedido, como ainda lamentaram o facto do PSD e do CDS terem privatizado a ANA "entregando-a à Vinci Airports, empresa de capitais franceses, sem acautelar e salvaguardar o interesse nacional"

O gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação também tomou conhecimento do anúncio publicitário, e emitiu um comunicado no qual refere que pediu esclarecimentos à ANA "e pediu de imediato que fossem tomadas medidas para retirar uma publicação que é contrária aos interesses do país, dos portugueses e da economia nacional"

Segundo o Ministério, tutelado por Pedro Nuno Santos, a ANA "já promoveu uma averiguação sobre o que se passou e retirou de imediato a ligação em causa", depois de deputados do PS e do PSD terem denunciado a campanha.

Aeroporto de Faro tinha recusado publicação de campanha que promovia destino francês

A agência de comunicação Brandworkers assumiu “total responsabilidade” pela publicação nas redes sociais de uma campanha publicitária do aeroporto de Faro que promovia um destino francês e tinha sido previamente recusada por aquela entidade.

A Brandworkers lamenta profundamente o impacto negativo causado pela publicação referida, recusada previamente pelo aeroporto de Faro”, lê-se num comunicado enviado pela agência.

Na nota, a agência de comunicação e publicidade, que dava apoio à gestão das redes sociais do aeroporto de Faro, assume ainda “a total responsabilidade por esta falha”.

O Governo ordenou esta segunda-feira a retirada de uma campanha publicitária do aeroporto de Faro, publicada nas redes sociais, que promovia um destino francês e convidava os destinatários a "fugir da confusão" do Algarve.

O Governo, assim que tomou conhecimento da situação (...), pediu explicações à ANA e pediu de imediato que fossem tomadas medidas para retirar uma publicação que é contrária aos interesses do país, dos portugueses e da economia nacional", lê-se numa nota do Ministério das Infraestruturas e da Habitação.