A ministra da Saúde, Marta Temido admitiu esta quarta-feira que existem dificuldades em manter uma menor concentração de pessoas e no reforço da higienização dos espaços.

Sublinho que temos dificuldades adicionais no sentido de adaptação dos nosso circuitos, da menor concentração de pessoas e no reforço da higienização dos espaços, mas estamos cá para servir a população e esperamos melhorar a resposta", disse Marta Temido na habitual conferência de imprensa da DGS.

No dia em que o novo coronavírus atinge uma taxa de letalidade de 2,6%, a ministra afirma que a maioria dos casos de infeção ativos (97,3%) estão a recuperar em casa, existindo apenas 2,3% de todos os infetados em enfermaria.

A taxa de incidência a 7 dias verifica-se nos 49,4 casos por 100 mil habitantes e a 14 dias é possível denotar uma taxa de 96,4 novos contágios por 100 mil habitantes. De acordo com o último relatório do INSA, explica Temido, a "análise do posicionamento do nosso país na situação epidemiológica da Europa, regista uma taxa de notificação acumulada de entre 60 a 120 novos casos por 100 mil habitantes".

A ministra indica ainda que o valor médio do RT de 21 a 25 de setembro foi de 1.07, sendo que o valor mais alto foi registado no Algarve (1.16) e o mais baixo no Alentejo (0.9).

Marta Temido refere que existe uma clara tendência de recuperação na assistência a doentes não covid. A evolução da atividade assistencial - cuja atividade não urgente foi suspensa em março - tem tido um reagendamento e os números "mostram o esforço de recuperação dos profissionais de saúde".

Comparando a diferença nas consultas assistenciais em agosto, Temido refere que foram registadas menos 920 mil consultas do que no período homólogo, uma descida percentual de 4,4%. Em maio, essa diferença era de 10,3%.

A mesma tendência foi verificada nas intervenções cirúrgicas, com menos 100 mil no mês de agosto.

Brigada dos lares avança com menos profissionais

A ministra da Saúde confirmou que o número de profissionais que vão integrar a brigada de intervenção nos lares irá ser menor do que o previsto, "face às dificuldades reportadas".

 As equipas vão começar a trabalhar no início de outubro e vão contar com 60 enfermeiros e 200 ajudantes de ação direta. Para além disto, todos os distritos vão contar com o apoio - não presencial - e a intervenção preventiva de médicos e de técnicos superiores de saúde, nomeadamente psicólogos.

O Governo diz ainda que está a trabalhar para "chegar ao nível previsto" para estas equipas.

Sobre a abertura dos estádios para o jogo da Seleção Nacional frente a Espanha e para o jogo entre o Santa Clara e o Gil Vicente, a Diretora-Geral da Saúde esclarece que foi uma decisão que "não estava prevista" e que estes jogos não passam de um teste.

Vamos fazer dois projetos pilotos com jogos considerados de menor risco, com 5% de lotação. Vamos ver como será o comportamento", disse Graça Freitas, sublinhando que só a partir destes é que se poderá aumentar a fasquia.

Marta Temido esclarece ainda que a realização do jogo da I Liga, sendo da esfera de decisão da Região Autónoma dos Açores, não teve a consulta do Ministério da Saúde.

Peregrinação de 13 de outubro em Fátima terá peregrinos

A peregrinação de 13 de outubro terá peregrinos no recinto de Fátima, adiantou hoje a diretora-geral da Saúde, remetendo para o santuário e para as próximas horas mais pormenores de um plano que inclui "o cumprimento de regras de segurança".

Tem sido um trabalho profícuo e de colaboração [entre as autoridades de saúde e o Santuário de Fátima] e que vai permitir a existência de peregrinos no recinto cumprindo regras de segurança. A publicação [das regras] será hoje feita”, afirmou Graça Freitas na conferência de imprensa de atualização de informação relativa à infeção pelo novo coronavírus em Portugal.

Graça Freitas avançou que “hoje durante o dia será publicado pelo próprio Santuário o parecer que foi dado pelas autoridades de saúde”, sublinhando o trabalho das instituições porque “entre os primeiros contactos e a primeira reunião mediaram horas”, acrescentou.

Em 23 de setembro a DGS avançou que estava a analisar o plano de contingência apresentado pelo Santuário de Fátima para a peregrinação de 13 de outubro e os trabalhos já se encontram na fase de preparação técnica.

Uma vez analisado o plano e vistas as plantas do local, disse nessa ocasião Graça Freitas, teve início a apreciação do documento para ver se está conforme com as indicações da DGS com vista à elaboração de um parecer final para a realização das cerimónias.

Os trabalhos estão em curso e no final vai haver, como tem acontecido em outros eventos, um acerto baseado na confiança entre os planos do  santuário e os nossos pareceres”, reiterou.

Antes, Graça Freitas já tinha dito que não era "expectável" que o santuário de Fátima tivesse 55 mil pessoas nas cerimónias de outubro.

Entretanto, a delegada de Saúde Pública do Médio Tejo defendeu que as cerimónias religiosas de 13 de outubro no Santuário de Fátima decorram "sem a presença de peregrinos", a exemplo do que sucedeu em 13 de maio.

No dia 13 de setembro o acesso ao Santuário de Fátima foi bloqueado quando o local atingiu a lotação máxima permitida no contexto da pandemia da covid-19.

As celebrações com a presença de peregrinos desde o início da pandemia foram retomadas no Santuário de Fátima em 30 de maio e a primeira peregrinação internacional com fiéis realizou-se em 12 e 13 de junho.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 1.971 em Portugal.

Henrique Magalhães Claudino / Atualizada às 15:39 com Lusa