Oito consórcios estão num processo “mais avançado e mais promissor” de investigação de uma vacina contra a Covid-19, disse esta sexta-feira a ministra da Saúde, considerando, contudo, ser ainda precoce avançar com números de doses que Portugal poderá adquirir.

Apesar de a Direção-Geral da Saúde ter uma estimativa, “é ainda precoce estar a avançar com o número de doses que poderemos vir a ter no nosso país, sobre eventuais preços ou, mais importante, ainda sobre datas para a sua disponibilização”, disse Marta Temido na conferência de imprensa diária sobre a Covid-19.

Outras circunstâncias relacionadas com inclusões em planos de vacinação têm de ser também “avaliadas à posteriori”, disse a ministra.

Alguns desses oito consórcios que estão já numa fase avançada da investigação da vacina, algumas das quais já estão na fase três de investigação, envolvem, além da indústria farmacêutica, entidades da academia,

Segundo Marta Temido, é a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) que está a representar o país e a acompanhar o processo internacional.

O Infarmed tem participado em reuniões que agora estão a ter uma periodicidade semanal com os 27 estados-membros e com a coordenação da Comissão Europeia daquilo que são as várias interações com a indústria farmacêutica no sentido de garantir que todas as linhas em que há investigação e desenvolvimento de vacinas tem também um acompanhamento da nossa parte”, salientou.

O objetivo, explicou, é conseguir garantir que Portugal tem acesso “àquelas que venham a ser as primeiras vacinas em condições de segurança e qualidade”.

Questionada sobre como o Serviço Nacional de Saúde se está a preparar para responder à circulação simultânea da Covid-19 e da gripe, Marta Temido afirmou que as “preocupações centrais” se prendem com a necessidade de garantir por um lado, que há vacinas para a gripe sazonal e que a estratégia de vacinação esteja “definida a tempo de começar a aplicar a vacina da gripe” e disponibilizá-la mais cedo do que o habitual.

Por outro lado, garantir “a rapidez de resposta para um eventual recrudescimento da covid-29 ou, pelo menos, para aquilo que sabemos que é a situação que vamos manter de ter de viver com a doença enquanto não tivermos uma vacina ou um tratamento eficaz para ela”.

Nesse sentido, a resposta deve ser melhorada “cada vez mais”, designadamente em termos de “rapidez identificação dos casos e da sua testagem precoce”.

Por isso, vincou, o Governo está “a investir na duplicação daquilo que é a capacidade própria do Serviço Nacional de Saúde de realizar testes”, além do “esforço um conjunto de outros parceiros, privados designadamente, que será sempre complementar e útil”.

A resposta também passa por recuperar a atividade assistencial não urgente que não foi realizada devido à pandemia, disse, rematando: “São vários níveis, vários focos, vários vetores, vários pilares do trabalho que estamos a desenvolver”.

O subdiretor-geral da Saúde, Diogo Cruz, acrescentou que as medidas preconizadas para a prevenção da covid-19 também são eficazes para a prevenção dos outros vírus respiratórios, como o vírus ‘influenza’.

Se todos aderirmos [às medidas] vamos prevenir não só a Covid-19”, mas também os outros vírus respiratórios, salientou Diogo Cruz.

 

Resultados do inquérito serológico apresentados na próxima semana

Os resultados do inquérito para avaliar a imunidade da população portuguesa à Covid-19, que envolveu 2.300 participantes com idades entre os 12 meses e os 93 anos, vão ser divulgados na próxima semana, anunciou hoje a ministra da Saúde.

O jornal Expresso avançou na quinta-feira as conclusões da primeira fase do inquérito serológico do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), segundo as quais há 300 mil pessoas que já foram infetadas pelo vírus SARS-Cov-2, que provoca a doença Covid-19.

O número real de pessoas que já tiveram a doença é seis vezes superior ao número de casos confirmados, com teste positivo, pelas autoridades de saúde, refere o jornal, adiantando que o indicador é muito reduzido e segue a tendência já verificada noutros países europeus.

Questionada sobre estes resultados na conferência de imprensa diária sobre a covid-10, a ministra da Saúde não quis comentar, afirmando que teve conhecimento, através do INSA, que decorreu na quinta-feira uma reunião de peritos para discussão dos primeiros resultados, que só vão ser tornados públicos na próxima semana porque ainda está em fase final a análise estatística para consolidação dos dados.

Neste momento, não vamos comentar qualquer informação que tenha sido antecipada por eventuais presentes na reunião, o que posso dizer é que este primeiro estudo transversal teve como objetivo principal estimar a extensão da infeção na população portuguesa”, disse a ministra.

/ HCL - atualizada às 19:27