Face à crise pandémica que o país e o mundo atravessam, a ministra da Saúde, Marta Temido, disse esta terça-feira na Assembleia da República, que "temos pela frente os dias mais exigentes das nossas vidas".

Num debate em que o SNS tem estado no centro das atenções, a ministra reiterou que a proposta de Orçamento do Estado que o Governo apresenta ao Parlamento "reafirma a saúde e o Serviço Nacional de Saúde como prioridades políticas com reflexos nas escolhas financeiras para o país". Ao mesmo tempo, deixou um 'recado' a quem anunciou já o voto contra (PSD e Bloco de Esquerda).

Os portugueses que não se enganem. Num tempo em que todos os dias, o Serviço Nacional de Saúde é duramente posto à prova - ao enfrentar uma pandemia sem precedentes nos últimos 100 anos - os que escolhem votar contra este orçamento fazem-no por uma de duas razões: ou porque há muito preferiram procurar outro modelo de sistema de saúde ou porque decidiram desistir de melhorar os serviços públicos de saúde. definitivamente, nenhuma destas é a nossa escolha, nenhuma delas serve o interesse do país e dos portugueses", declarou Marta Temido.

Ainda no início da sua intervenção, a ministra esclareceu que o financiamento do SNS continuará a merecer a melhor das atenções.

Não desistimos de melhorar o SNS no futuro, como não o fizemos no passado. Não foi para desistir daquilo em que acreditamos que fizemos o longo caminho da aprovação da nova lei de bases da saúde".

A ministra da Saúde lembrou que no mês de setembro, e face a 2015, havia mais 20.884 profissionais no SNS e que, destes, 5.459 foram contratados desde dezembro de 2019. Assim, ao contrário do que tem dito o Bloco de Esquerda, "há mais profissionais de saúde e melhores condições para os profissionais de saúde: os 140.882 profissionais de saúde que trabalham no SNS já não estão sujeitos a congelamento de carreiras ou a redução de salário", referiu a ministra. 

O que é isto senão investimento nas carreias dos profissionais de saúde? Tratou-se de um investimento em pessoas para servir melhor as pessoas”, questionou.

Ao mesmo tempo, a ministra da Saúde afirmou ainda que o Governo manterá a saúde mental como "prioridade olítica da legislatura, dando continuidade à implementação do Plano Nacional de Saúde Mental com 19 milhões de euros de investimento inicial, num esforço sem precedentes".

Este é o momento de estarmos juntos, pelos doentes covid e pelos doentes não covid, pelos profissionais de saúde, pela confiança na ciência, pela luta contra o medo e a intelorância. É isso que se espera de nós, é isso que o SNS espera de nós", adiantou a ministra.

Reconhecendo que ainda "há muito para fazer", Marta Temido fez questão de referir "que este é um momento de enorme dificuldade em que muitas coisas permanecerão ainda por executar no Orçamento de 2021, mas estamos a agir rapidamente e acreditamos que para agir rapidamente é fundamental conhecer a verdade e a verdade é aquela que conta deste orçamento: um investimento nos serviços públicos e a convicção de que são eles que melhor servem os portugueses".

Em relação aos médicos de família, Marta Temido diz esperar que, até ao final do ano, "mesmo considerando aposentações, tenhamos mais 340 mil portugueses com médico de família atribuído".

Veja também:

Lara Ferin