Depois de ter admitido que as primeiras vacinas contra a covid-19 deveriam começar a ser distribuídas em janeiro, Marta Temido insistiu que o país tem de estar preparado para essa possibilidade. 

Na habitual conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica do país, a ministra da Saúde garantiu que os organismos técnicos estão a trabalhar num plano que deverá ser apresentado à população no início de dezembro. 

De acordo com os calendários de distribuição, há a possibilidade de uma das primeiras vacinas estar calendarizada para chegar em janeiro". 

 

Temos de estar preparados, caso a vacina chegue em janeiro, para que a resposta seja efetiva", acrescentou. 

Esse plano serve para preparar o país quanto à capacidade de armazenamento da vacina, à sua distribuição e ainda a sua administração.

Marta Temido relembrou que a Comissão Europeia está a preparar, há vários meses, um programa de acesso a vacinas seguras e eficazes em tempo igual para todos os países e a preços comportáveis. No entanto, cabe às autoridades de saúde de cada país a tarefa de operacionalizar a toma e definir quais os grupos prioritários que deverão ser vacinados primeiramente.

Questionada sobre qual a vacina que pode dar mais garantias e qual é que poderá vir para Portugal, a governante alegou que as informações disponíveis são ainda "limitadas" e que os organismos estão a trabalhar "num cenário de incerteza"

Não obstante, Marta Temido assegurou que é neste cenário que tem de se planear quem é vacinado primeiro, onde se vai armazenar a vacina, se em centros de saúde ou em centros de administração e quais os profissionais de saúde que a vão administrar.

O que queremos que aconteça, é que o país esteja preparado para assegurar o armazenamento, a distribuição e a administração segura em termos de circuitos, em termos de transporte, em termos dos profissionais que são alocados à administração de vacinas, segura em termos dos registos informáticos que são feitos, segura em termos da reações adversas que eventualmente surjam que são também anotadas e que o país esteja preparado para fazer esta distribuição".

Apesar da boa notícia, a ministra garante que "não podemos baixar a guarda relativamente à transmissão da doença"

Sobre a hipótese de Portugal exigir, como Espanha, um teste negativo à chegada aos aeroportos, assegurou que esse cenário não está a ser equacionado.

"Não são só as pessoas que contraem a doença numa fase mais avançada que necessitam de internamento hospitalar”

Um terço das pessoas internadas nos hospitais devido à covid-19 tem entre os 40 e os 69 anos, 4% dos doentes têm menos de 40 anos e 63% são doentes com mais de 70 anos.

Referimos estes dados para que todos percebam com clareza que não são só as pessoas que contraem a doença numa fase mais avançada que necessitam de internamento hospitalar”, afirmou Marta Temido.

Do total de doentes internados, 33% tem entre 40 e 69 anos, 66% tem mais de 70 anos e 4% tem menos de 40 anos.

A ministra avançou ainda que, dos 5.891 casos contabilizados nas últimas 24 horas, mais de mil são de pessoas com idades entre os 40 e os 49 anos, e outras 425 têm mais de 80 anos.

O grupo etário predominante a contagiar-se situa-se entre os 40 e os 49 anos, mas há um número significativa de pessoas com idade avançada e isso continua a ser um dado que inspira preocupação”, acrescentou.

Ainda sobre a situação do país quanto à infeção pelo novo coronavírus, Portugal apresenta uma taxa de incidência acumulada a 14 dias de 726,2 casos por 100 mil habitantes com variações muito significativas, muito acima do limite dos 240 casos por 100 mil habitantes, um critério geral definido pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

A região Norte tinha, nos últimos 14 dias, uma taxa de incidência acumulada de 1.264 casos por 100 mil habitantes, 505 casos na região Centro, 498 na região de Lisboa e vale do Tejo, o Alentejo tinha 291 casos e o Algarve 265 casos.

O que nos preocupa neste momento é o elevado número de novos casos por dia que torna o ciclo da doença uma preocupação para o funcionamento dos serviços de saúde e da sociedade em geral”, disse a ministra.

Em relação o risco de transmissão efetivo (RT) para os dias entre 9 e 13 de novembro situa-se em 1.11 como média do país e da região norte.

Marte Temido foi ainda questionada sobre a hipótese de uma reinfeção, mas disse não ter "nenhum comentário a fazer", uma vez que "os dados são ainda muito escassos".

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 16:28