O presidente da Câmara de Guimarães apelou, esta sexta-feira ao uso de máscaras nas ruas, além dos espaços fechados, referindo que a "prevenção em grupo" é uma "responsabilidade cívica", depois do número de infetados no concelho ter "aumentado muito".

Em declarações à Lusa, Domingos Bragança referiu ser "preocupante" que os infetados com covid-19 detetados estão "dispersos", pelo que admitiu "apertar a malha dentro do possível", nomeadamente com os horários do comércio.

Em sete dias foram registados 108 novos casos positivos no concelho, "sem que se perceba qual o foco" do contágio, disse.

A dispersão destes casos é preocupante porque é um contágio em comunidade. Por isso, para nós, autarquia, mais do que pensar na imunidade de grupo, é importante pensar na prevenção de grupo, daí este apelo para o uso constante de máscara quando saímos das nossas casas, mesmo na rua e não apenas nos espaços fechados", disse.

O autarca referiu que o objetivo é "conseguir viver o dia-a-dia com esta nova realidade de pandemia, sem ter que encerrar novamente tudo", realçando que para que tal aconteça "é necessário cada um exercer a sua responsabilidade cívica de se proteger protegendo os outros".

Questionado sobre a possibilidade de intervir nos horários de funcionamento do comércio, Domingos Bragança adiantou que é uma hipótese.

Temos que apertar a malha, ao mesmo tempo que apelamos ao espírito cívico para cumprimento das medidas preventivas. Sabemos desde ontem [quinta-feira] estas possibilidades de estabelecer horários e vamos decidindo como melhor nos defendermos a todos", respondeu.

Estamos a prevenir o pior para desejar o melhor, mas temos que ter em conta todas as medidas preventivas mais apertadas que a lei nos concede neste estado de contingência", completou.

Máscaras aumentam proteção mas não são milagrosas

A diretora-geral da Saúde afirmou hoje que as máscaras são um método que aumenta a proteção, mas “não são milagrosas”, defendendo que para diminuir o contágio de covid-19 é preciso reduzir o convívio, porque existe uma pandemia.

Graça Freitas comentava desta forma, na conferência regular das autoridades de saúde sobre a covid-19, o apelo do presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, para o uso de máscaras nas ruas, além dos espaços fechados, depois do número de infetados no concelho ter "aumentado muito".

Há um conjunto de medidas que fazem efeito e as máscaras ajudam essas medidas, são um método de barreira que aumenta a proteção, não são milagrosas, porque se fossem milagrosas era a única medida que nós recomendávamos”, afirmou.

Graça Freitas explicou que não é apenas uma medida que vai impedir que a pessoa contraia ou transmita o vírus. “O contágio é muito fácil e é um feixe de medidas que vai levar a que esse contágio diminua”, nomeadamente “menos contacto entre pessoas, menos confraternização”.

“Temos que dizer claramente que, neste momento, quando vamos ver os surtos” são principalmente famílias, depois situações sociais e laborais.

Por isso, vincou, “as famílias têm que entender que se vivem em casas diferentes, em núcleos diferentes e em bolhas diferentes quando se juntam estão a juntar mundos diferentes e basta uma pessoa infetada”.

Nesse sentido, alertou, “o convívio tem que ser também diminuído, nós estamos numa pandemia”.

Presente na conferência, a ministra da Saúde, Marta Temido, acrescentou que foram tomadas “as medidas necessárias no tempo correto, que é o tempo de evidência (prova), o tempo da consolidação que é o tempo da ponderação”.

Queremos ser precoces, mas não queremos tomar medidas que sejam desproporcionais e afetar valores que sejam igualmente relevantes e a ponderação dos valores em presença é um dos aspetos mais importantes politicamente, tecnicamente e a quem assume responsabilidades”, sublinhou Marta Temido.

Graça Freitas sustentou que não é hábito das autoridades “tomar medidas que não sejam tão efetivas”, como gostariam, obrigatórias, no entanto, estão sempre abertas “à melhor evidência científica”.

Não quer dizer que em situações específicas em que se prevê por qualquer motivo um ajuntamento maior de pessoas não possa vir a ser recomendada”, situação diferente “é recomendar o uso universal”, frisou.

Questionada na conferência sobre a proteção da parentalidade no acompanhamento dos filhos menores que precisem de estar em isolamento profilático ou em situação de doença, a ministra da Saúde afirmou que decorre da lei e já estava aprovada.

É importante que se saiba que os pais têm direito ao acompanhamento dos filhos menores e, embora nós façamos o melhor possível para evitar encerramentos das escolas e a interrupção das atividades letivas, se a questão é a da proteção dos pais desses meninos ela está prevista em lei”, afirmou.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 910.300 mortos e mais de 28,2 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Portugal contabiliza hoje mais três mortos relacionados com a covid-19 e 687 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O número de novos casos em 24 horas contabilizado hoje é o mais alto desde 16 de abril, quando foram registados 750 novos casos de infeção.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 1.855 mortes e 62.813 casos de infeção.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes. 

/ Publicado por MM