À medida em que o país se aproxima, semana após semana, da meta dos 70% da população totalmente vacinada contra a covid-19 (atualmente estamos nos 66%), os especialistas debatem o timing do fim do uso obrigatório de máscara na rua.

O virologista Pedro Simas defende que não é precoce pôr fim ao uso obrigatório de máscara no exterior e considera mesmo que a medida já podia ter sido levantada.

O confinamento e as medidas de restrição deviam estar ligadas à eficácia que essa percentagem de vacinação tem na sociedade, como níveis internamentos e o que estamos a ver é que há cada vez mais um decréscimo", começa por explicar.

O especialista frisa que a taxa de infeção nunca vai desaparecer e que esta é importante para manter o equilíbrio endémico.

Em Portugal estamos com números muito estáveis e estamos numa fase em que podemos retirar as máscaras pelo menos no exterior", frisou, apontando que "até podíamos tê-lo feito antes".

Por sua vez, Ricardo Baptista Leite admite que considerar a medida neste momento em particular faz-lhe "alguma confusão".

Os 70% são um número artificial. Ninguém consegue afirmar que há imunidade de grupo atingindo este valor", começa por referir.

O médico dá o exemplo do Reino Unido, que levantou as restrições de uma só vez, tendo-se verificado "um crescimento substancial que resultou de uma medida errada".

Baptista Leite defende que, do ponto de vista de saúde pública, "percebendo que a imunidade particularmente para os grupos mais vulneráveis diminui significativamente a partir dos seis a oito meses após o início da vacinação, devemos ter medidas incrementais de levantamento de restrições".

O ano passado vimos que o regresso às aulas iniciou um caminho de crescimento de casos que só terminou em fevereiro deste ano. Nós vemos as projeções que apontam para algo semelhante para este ano", alertou.

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Portugal está prestes a atingir a meta dos 70% da população vacinada, que foi estabelecida pelo Governo para deixar cair o uso obrigatório de máscara na rua. A garantia foi dada pelo coordenador da task force para a vacinação contra a covid-19, o vice-almirante Gouveia e Melo.

No entanto, só em setembro vai ser decidido se deixa de ser obrigatória a máscara na rua. A decisão tem de passar pelo Conselho de Ministros, que só se realiza na próxima semana, e ficará ainda nas mãos do Parlamento, depois de avaliar os dados epidemiológicos e de vacinação no país.

Rafaela Laja