O Buçaco reabre ao público amanhã, quinta-feira, dois meses e uma semana depois da tempestade Leslie e antes do final do ano, como previsto. Já foi concluída a primeira fase das obras de recuperação dos estragos provocados, em 105 hectares de floresta, anunciou esta quarta-feira o presidente da fundação que gere esta Mata Nacional.

A cerimónia de reabertura será presidida pelo secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, que cortará uma fita simbólica junto às portas de Catrapim, um dos principais pontos de entrada na Mata, adiantou à agência Lusa o presidente da Fundação Mata do Buçaco (FMB), António Gravato.

Segundo estimativas da FMB, o encerramento forçado da mata durante mais de dois meses representou "um rombo" em termos de receitas de bilheteira a rondar os 200 mil euros.

A primeira fase de limpeza e reparação foi financiada em mais de 220 mil euros pelo Fundo Florestal Permanente. A FMB e a Câmara de Mealhada estimam que serão necessários ainda mais 200 mil euros para reparar os estragos em caminhos, árvores e atrações edificadas, como as capelas da Via Sacra.

A Mata Nacional do Buçaco, na Mealhada (Aveiro), foi encerrada ao público na sequência da Leslie, que atingiu a região Centro na madrugada de dia 13 de outubro, provocando nos 105 hectares da mata prejuízos estimados em meio milhão de euros.

A tempestade poupou o património edificado do "Deserto dos Carmelitas Descalços e Conjunto Edificado do Palace do Bussaco", que está na base da candidatura à classificação de Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

A nossa prioridade nos primeiros dias foi garantir a segurança, limpar as estradas e garantir o acesso ao hotel, casas da mata e sede da fundação".

A tempestade derrubou centenas de árvores, entre as quais três que pertenciam ao trilho nacional de árvores notáveis, e deixou isoladas 60 pessoas no Palace Hotel e 14 nas casas de alojamento local espalhadas pela mata.

Com 105 hectares, a Mata Nacional do Buçaco foi plantada pela Ordem dos Carmelitas Descalços no século XVII, encontrando-se delimitada pelos muros erguidos pela ordem para limitar o acesso.

O conjunto monumental do Buçaco apresenta um núcleo central formado pelo Palace Hotel do Bussaco e pelo Convento de Santa Cruz, a que se juntam as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõem a Via Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Bussaco.

Os cruzeiros, as fontes (com destaque para a Fonte Fria com a sua monumental escadaria) e as cisternas, os miradouros e as casas florestais compõem o vasto conjunto do património.