As últimas semanas têm sido marcadas por denúncias de casos de assédio sexual sofridos pelas mulheres em Portugal. Um movimento inédito na sociedade portuguesa, semelhante ao #Metoo norte-americano.

O movimento, que ganhou força nos Estados Unidos há quatro anos, encorajou as mulheres a relatar as suas experiências de abuso verbal e físico, assim como actos de violação, depois da forte acusação de má conduta sexual contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein. 

Agora, o caso da atriz Sofia Arruda, que recentemente revelou ter sido vítima de assédio sexual em contexto de trabalho, parece ter sido o gatilho para que outras figuras públicas portuguesas seguissem o exemplo, expondo casos idênticos.

Depois desta confissão, a atriz Inês Simões também veio a público denunciar uma situação semelhante e que a levou a ser afastada do pequeno ecrã.

Atrizes, artistas, jornalistas e produtoras, por exemplo, vieram denunciar publicamente ou relembrar episódios de assédio sexual que sofreram e que tiveram como consequência um travão nas suas carreiras ou as portas fechadas na profissão. 

Marisa Liz, vocalista dos Amor Electro, deu conta de episódios de assédio sexual que sofreu, relatando a perseguição que lhe foi movida quando cantava num bar.

O assédio é uma questão de poder. Mas é triste. Ouvires frases como: 'Miúdas a dançarem assim, estão à espera do quê?'", referiu, Marisa Liz, frisando: "Para resolver o assédio, temos de ir à base do problema: a educação. Estes temas têm de ser falados na escola."

Já a cantora Bárbara Bandeira, de 19 anos, falou sobre casos de assédio sexual no mundo da música: "Sinto que, nesta indústria, há muitos homens que nos querem fazer de parvas. E estou a dizer homens, porque nunca me aconteceu com mulheres".

Não é por eu ser miúda e ser mulher que um agente me pode apalpar, mandar piropos. Mas seja a mim, a uma bailarina ou, até, a uma fã", denunciou Bárbara Bandeira.

Na sexta-feira, foi a vez de Catarina Furtado detalhar ao Expresso o assédio que foi alvo no início da carreira, “por parte de três pessoas com cargos hierárquicos superiores” ao seu, que já tinha denunciado em 2018.

Uns fizeram-me convites insinuantes, óbvios, que não davam margem para eu ter dúvidas do que era pretendido, outros eram mais rebuscados. Mas percebia-se completamente as suas intenções”, afirmou.

Uma semana depois, a jornalista Joana Emídio Marques acusou o editor Manuel Alberto Valente de a assediado no contexto de um jantar de trabalho, em 2012.

Numa publicação no Facebook, a jornalista relatou que o editor ter-se-á comportado de forma imprópria, fazendo-a sentir-se “humilhada” pelas insinuações sexuais que, alegadamente, surgiram assim que o jantar começou.

Ele tira do bolso uma caixinha de comprimidos que espalhou na palma da mão e aproximou do meu rosto e lançou: estás a ver? Não tenho aqui nenhum comprimido azul”, escreveu. “O homem estava a mostrar-me, a dizer que não tomava Viagra. E aquilo que era para mim um jantar de trabalho tornou-se logo ali uma humilhação”.

O antigo diretor editorial da Porto Editora já veio negar as acusações e prometeu agir judicialmente contra a jornalista.

Recentemente, a atriz Jessica Athayde decidiu tornar públicas várias mensagens que tem recebido por parte de um seguidor com provocações de cariz sexual. Já Rita Pereira, partilhou um vídeo, no qual uma mulher surge a tentar tirar uma fotografia, até ser incomodada por um desconhecido que lhe dá um beijo no ombro.

Após partilhar este episódio de assédio sexual, Rita Pereira confessou que já teve de enfrentar este tipo de abusos "dezenas de vezes, entre os 13 e os 21 anos".

Rafaela Laja