Apenas uma das 24 delegações do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) está, esta quarta-feira, a funcionar e os médicos das delegações de Lisboa, Porto e Coimbra aderiram todos à greve, segundo fonte sindical.

Em declarações à agência Lusa, Jorge Paulo Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), explicou que “os serviços mínimos estão a ser assegurados”.

Tudo o que tem que ver com tudo o que sejam situações urgentes, nomeadamente suspeitas de crimes ou suspeitas de violência doméstica ou violência sexual, ou até alguma catástrofe, e é necessário recolher indícios, isso está totalmente garantido por parte dos médicos da medicina legal”, disse Roque da Cunha.

A greve de dois dias que começou esta quarta-feira é promovida pelo SIM e pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) para reivindicar uma carreira médica na instituição e melhores condições de trabalho.

Com esta expressão, esperamos que a ministra da Justiça perceba que tem aqui um conjunto de médicos que trabalham muito mais do que devem, são cerca de um terço do que deveriam ser e que, em termos salariais, em relação aos atos que praticam, [os valores pagos] são cerca de seis a sete vezes menos do que os atos feitos através da prestação de serviços”, disse o responsável, sublinhando que a prestação de serviços já representa mais de 60%.

Roque da Cunha fala ainda de um “progressivo esvaziamento do instituto”, que “tem feito com que muitos médicos saiam e haja dificuldade em cumprir prazos”.

Não compreendemos que o Governo, no final da legislatura, apresente no parlamento uma possibilidade de privatização deste instituto. Os nossos médicos do INMLCF não querem um instituto privado, querem um instituto independente e público. Não fazia agora sentido que o laboratório da polícia científica da PJ fosse privatizado, que de algum a maneira não fosse garantida a independência destas peritagens”, afirmou.

Com esta greve, os médicos exigem ainda “tratamento pelo menos igual ao que ocorre no SNS [Serviço Nacional de Saúde]”.

Sabemos das deficiências e dificuldades [do SNS], mas estes médicos ainda estão mais prejudicados do que os do SNS. Passam anos e anos como especialistas e esperam dezenas de anos para concursos para seniores”, disse Roque da Cunha, insistindo: “é fundamental que deixem de ser discriminados relativamente aos do SNS”.

Recrutamento de 167 médicos é "publicidade enganosa"

O Sindicato Independente dos Médicos afirmou, esta quarta-feira, que os 167 médicos que o Governo anunciou na terça-feira que vai recrutar fazem parte das vagas do concurso lançado em maio e considerou que se trata de “publicidade enganosa”.

É perfeitamente lamentável que o Ministério da Saúde, em vez de se preocupar em encontrar soluções para um problema se preocupe com a propaganda. Esta é grave porque induz as pessoas em erro”

Na terça-feira, os ministérios da Saúde e das Finanças abriram um processo de recrutamento de 167 médicos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), 50 dos quais médicos de família e os restantes de 13 especialidades hospitalares.

Num despacho conjunto, são identificadas as zonas carenciadas de recursos médicos, abrindo o processo de recrutamento para as 167 vagas.

Entre as vagas em especialidades hospitalares, 14 são para anestesiologia, 15 para cardiologia, 17 para medicina interna, 12 para ginecologia/obstetrícia e 10 para psiquiatria.

Em declarações à agência Lusa, Roque da Cunha fala em “milagre da multiplicação das vagas”, explicando: “Anuncia-se que se vai contratar mais 167 médicos, que são os que saíram no concurso de maio. Anunciam que vão contratar não sei quantos obstetras em Lisboa e no Porto e são exatamente esses do concurso”.

O que queremos é que o Ministério da Saúde crie as condições para os doentes serem bem tratados, que sejam diminuídas as listas de espera e que sejam contratados os médicos”, afirmou.

Para o secretário-geral do SIM, o ministro das Finanças, Mário Centeno, “está numa realidade totalmente europeia”.

Não adianta que o doutor Centeno, que está numa realidade totalmente europeia e longe do que acontece no nosso país, possa dizer que está tudo bem”.