Os chefes de equipa de urgência do hospital D. Estefânia, em Lisboa, apresentaram hoje a sua demissão à administração, considerando que houve “quebra do compromisso” feito pela instituição de contratar mais médicos.

O anúncio, feito hoje, refere que os médicos consideram que a situação “é insustentável”.

A demissão foi apresentada por todos os chefes de equipa e coordenadores daquele serviço, num total de 10.

Ministra afirma que vai acompanhar situação

A ministra da Saúde disse que vai acompanhar a situação dos pedidos de demissões de responsáveis clínicos no hospital Dona Estefânia, em Lisboa, mas sem adiantar pormenores.

Na comissão parlamentar de Saúde, a ministra Marta Temido foi questionada sobre o pedido de demissão dos chefes de equipa de urgência do hospital pediátrico Dona Estefânia e indicou não ter muita informação, mas adiantou que acompanhará a situação. 

“Apenas tenho informações que me vão chegando”, afirmou.

A ministra disse ainda que as demissões de responsáveis hospitalares podem ser vistas de duas formas: “ou como sinais de que algo não vai bem ou como formas de descredibilizar o sistema”.

“Prefiro sempre encará-las como sinais de que algo não vai bem e que é preciso melhorar”, disse aos deputados.

 

Mais à frente, disse que o Hospital D. Estefânia é das "jóias da coroa" mas não abundam pediatras.

PSD quer ouvir chefes de urgência demissionários

O PSD vai apresentar hoje um requerimento para ouvir com “caráter de urgência” os chefes de equipa de urgência demissionários.

Para o deputado do PSD Luís Vales, esta demissão “é mais uma prova evidente” do “estado de degradação” do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Estas demissões são fruto do estado de degradação a que chegou o SNS, do seu subfinanciamento, do baixo investimento, da degradação do funcionamento, das dificuldades de acesso e da profunda insatisfação instalada na generalidade dos profissionais de saúde”, afirmou o deputado social-democrata na comissão parlamentar de Saúde, onde está a ser ouvida a ministra Marta Temido.

Luís Vale anunciou na comissão que o PSD vai apresentar hoje um “requerimento com caráter de urgência” para ouvir os profissionais de saúde e para que estes expliquem as razões que os levaram a apresentar a demissão.

Bastonário dos médicos pede à ministra que resolva situação

O bastonário dos médicos apelou hoje à ministra da Saúde para que resolva “a situação complicada” do hospital Dona Estefânia, onde os chefes de equipa da urgência anunciaram hoje a demissão apresentada à administração em outubro.

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), que realizou uma visita ao hospital e esteve reunido com a equipa demissionária, destacou aos jornalistas o facto de os chefes de serviço já terem feito vários alertas à administração, no sentido de ser “absolutamente essencial a contratação de mais médicos” para o serviço.

“Estes médicos pediram a demissão porque esta situação no serviço de urgência é muito complicada”, disse o bastonário, apresentando como exemplo da falta de pessoal o facto de os planos de contingência do hospital não conseguirem ser assegurados na totalidade.

“A tutela sabe desta situação e não pode ignorar as necessidades deste hospital, que serve uma população pediátrica importante e ninguém do ministério falou com os clínicos demissionários”, acrescentou.

Miguel Guimarães aproveitou a ocasião para fazer um apelo à ministra da Saúde para que conheça a situação do hospital pediátrico e afirmou que há médicos que estão dispostos a trabalhar no hospital.

“A falta de médicos é uma realidade incontornável neste hospital e a isso junta-se a falta de enfermeiros e de assistentes operacionais. Temos uma situação complexa e merece a atenção de quem tem responsabilidade política”, afirmou.

Segundo Alexandre Valentim Lourenço, do Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos, os chefes de serviço de urgência demissionários “atingiram o limite”, lembrando que a falta de médicos no serviço “pode comprometer a qualidade e a segurança dos doentes”.