O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos considera a abertura do curso de Medicina em Aveiro um «erro estratégico» que «deve ser evitado», acrescentando que esta é uma decisão «prejudicial para a qualidade da medicina».

Numa carta aberta enviada à ministra da Saúde e ao ministro da Ciência e Ensino Superior, citada pela Lusa, José Manuel Silva afirma que a criação da Faculdade de Medicina de Aveiro foi uma decisão «exclusivamente política, contrariando critérios técnicos e constituindo-se como prejudicial para a qualidade da medicina, para o país, para o orçamento e para os doentes».

Para o responsável, «num país com oito Faculdades de Medicina, criar mais cursos é desbaratar dolosamente dinheiros públicos, com aumento dos riscos para os doentes».

José Manuel Silva afirma ser «inconcebível» que o Governo estabeleça como «prioridade» criar mais cursos de Medicina, recordando que não foram precisos mais oftalmologistas para reduzir as listas de espera para as cirurgias de cataratas.

«O êxito do programa de combate às listas de espera para cirurgia das cataratas demonstrou que, rentabilizando a capacidade instalada no Serviço Nacional de Saúde, foi possível acabar com a lista de espera, em poucos meses, sem serem necessários mais oftalmologistas», afirmou.

José Manuel Silva afirmou ainda que as Faculdades de Medicina já existentes admitiram 1782 novos alunos este ano, um número «muito acima do necessário» estabelecido por um estudo oficial do professor Alberto Amaral, «que considera a situação actual e as projecções futuras fixou em 1175 vagas/ano as necessidades do país».

Por isto, José Manuel Silva considera que «é demagogia justificar novas faculdades com a transitória falta de médicos».

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos também levanta dúvidas sobre «a qualidade dos futuros licenciados em cursos de apenas quatro anos», ao abrigo do Processo de Bolonha.

José Manuel Silva, que se mostrou disponível para um debate, «em público ou em privado, sobre o futuro da saúde em Portugal», disse também que «não haverá vagas de especialidade para todos os licenciados em Medicina, pelo que apenas aumentarão os médicos indiferenciados, sem especialidade, que pioram a qualidade global do sistema de saúde».
Redação / CP