Os bastonários das Ordens dos Farmacêuticos e dos Médicos manifestaram-se contra a possibilidade de os enfermeiros prescreverem medicamentos, como acontece em Espanha.

Desde 30 de Dezembro de 2009 que os enfermeiros espanhóis podem prescrever medicamentos, para já os sem receita médica e, após regulamentação própria, os sujeitos a prescrição clínica.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de os enfermeiros portugueses passarem a ter essa prerrogativa, o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos afirmou: «Não vejo qualquer vantagem especial».

«Cada profissional de saúde tem os seus actos e, naturalmente, não vejo que haja vantagens específicas em ter enfermeiros a prescrever medicamentos», disse Carlos Maurício, à margem da conferência «Direito do medicamento e a responsabilidade civil e criminal do médico no âmbito do acto clínico».

O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos considerou ainda que «os medicamentos não sujeitos a receita médica devem ser indicados pelos farmacêuticos», profissionais que, na sua opinião, «têm formação para fazer indicação dos medicamentos aos doentes».

Presente na mesma conferência, o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, discordou também da possibilidade de os enfermeiros poderem prescrever medicamentos, sublinhando que só os médicos têm conhecimento para ver qual o grau de risco de um medicamento.

«Os enfermeiros não têm conhecimento, experiência e capacidade técnica para prescrever os medicamentos», disse, considerando a possibilidade «absurda».

Pedro Nunes sustentou também que «é unicamente algo que os governos aproveitam para poupar algum dinheiro».