A alta comissária da Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, advertiu hoje para um tempo de incertezas e de regressão dos direitos fundamentais e disse que Portugal tem também “desafios importantes” nessa matéria.

Apesar de Portugal ter “grande experiência” com políticas públicas na área dos direitos humanos, “nenhum país é perfeito” e Portugal tem “desafios importantes”, na discriminação da etnia cigana e das pessoas afrodescendentes, na violência contra as mulheres, na pobreza e desigualdade socioeconómica, e no desemprego, sobretudo dos jovens, disse.

Michelle Bachelet falava hoje em Lisboa numa reunião com organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos no final de uma visita a Portugal.

A responsável, antiga Presidente do Chile, alertou para o aumento no mundo de nacionalismos, populismo, racismo, xenofobia e atitudes anti-islâmicas e antissemitismo. É um “período difícil para os direitos humanos” com a sociedade civil a ter “cada vez menos espaço” e a morreram “a cada dia” defensores dos direitos humanos, acrescentou.

Depois o mundo vive também a incerteza de saber quais as consequências para os direitos humanos das alterações climáticas, que deverão levar a mais pobreza, mais guerras e mais conflitos.

Michelle Bachelet acrescentou ainda mais uma incerteza, que é o impacto das novas tecnologias nos direitos humanos, que podem “ser fontes de expansão da democracia”, mas também “de prejuízo para os direitos humanos”.

A alta comissária deu como exemplo a perseguição à minoria rohingya, em Myanmar, ou o ataque a mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, no mês passado, onde houve um “aumento do ódio” através das redes sociais.