Portugal suspendeu, na segunda-feira, a administração da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca. O anúncio foi feito pela Direção-Geral da Saúde, o Infarmed e task force de vacinação. 

Em declarações à TVI24, Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, defendeu que é preciso ter alguma cautela sobre o alarme que está a ser feito à volta desta vacina, uma vez que "não existe uma relação de causa/efeito" e que está a decorrer um estudo feito pelos melhores investigadores da Agência Europeia do Medicamento (EMA, sigla em inglês), seja da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Estes coágulos, como as pessoas lhes têm chamado, estes pequenos fenómenos tromboembólicos que aparentemente são em regiões menos habituais, estamos a falar de 30 fenómenos simbólicos em 17 milhões de vacinas que já terão sido administradas". 

 

A incidência deste efeito colateral, se for relacionado com a causa/efeito entre a vacina e o efeito colateral, estamos a falar de uma incidência que é extremamente baixa", acrescentou. 

Miguel Guimarães considerou que a decisão de suspensão temporária da vacina da AstraZeneca em vários países da europa foi por uma questão de "prudência".

Eu acho que isto foi um decisão tomada em dominó. Ou seja, vários países começaram a suspender a vacina e depois os outros países vieram atrás. Isto tem um nome que é 'prudência'".

O bastonário deixou, no entanto, duras críticas à postura assumida por Graça Freitas e Rui Santos Ivo durante a conferência de imprensa, porque parecia que "estavam num funeral" e isso retira confiança às pessoas.  

O problema é o seguinte: ontem quando foi anunciado a suspensão ou a pausa na vacina da AstraZeneca, eu julgo que tanto o senhor presidente do Infarmed como pela senhora diretora-geral da saúde estavam com cara de caso, parece que estavam num funeral e isto tira um bocado de confiança às pessoas. Nós precisamos neste momento de acreditar no plano de vacinação".

Numa nota final, lembrou que todas as vacinas contra a covid-19 podem ter efeitos colaterais, mas que "o benefício da vacina supera claramente os riscos"

Pegando no caso de uma colega que tem um pai com 85 anos, e que tem a hipótese de ser vacinado com a vacina da AstraZeneca, Miguel Guimarães respondeu à pergunta: "Vacinarias o teu pai?". Tendo a resposta sido afimativa.

Cláudia Évora