O chefe do Estado-Maior do Exército disse, esta terça-feira, que as desistências no 128.º curso de comandos no primeiro mês da formação estão "ligeiramente acima da média", admitindo pressão familiar entre os motivos, que vão ser avaliados.

Em declarações aos jornalistas no regimento de Comandos, na Carregueira, Sintra, Rovisco Duarte afirmou que o número de desistências até ao momento no 128.º, que termina em junho, "é ligeiramente superior à média" mas frisou que já houve cursos com taxas de desistência superiores.

O 128.º curso começou em 07 de abril com 57 instruendos e registou até segunda-feira passada 40 desistências, todas a pedido, mantendo-se 17 em formação.

Rovisco Duarte disse estar convicto de que "o grande número de desistências já ocorreu", coincidindo com o "final da fase individual" que "é a mais exigente".

O general disse que vão ser analisadas as razões das desistências, que não se registam "por motivos físicos ou de praxe ou de situações menos claras" mas sim apenas por "vontades declaradas".

Arriscava-me a dizer que é mais um problema de fim de semana. O curso é exigente, é rigoroso, são muitos anos de curso de Comandos, com provas dadas em teatro e isso significa que não baixámos o nível de exigência e há alguma pressão, possivelmente das famílias, não sabemos mas isso é um assunto que queremos ver. Isso leva a que normalmente às segundas-feiras haja uma ou duas desistências", declarou.

"Não estou a afirmar que é a pressão das famílias, estou a dizer que, associado ao fim de semana, surgem algumas desistências", acrescentou.

O general Rovisco Duarte disse que, apesar de tudo, "não é estranho" haver este número de desistências, assegurando que os motivos vão ser analisados no âmbito do processo de certificação do curso.

Com certeza estão a ser recolhidos testemunhos de quem decidiu desistir, vão ser recolhidos testemunhos de quem avaliou, vamos trabalhar este processo e análise dentro destes referenciais", disse, admitindo alterações no próximo curso, ao nível do recrutamento, "se houver alguma coisa a corrigir".

Estão na formação, no regimento da Carregueira, em Sintra, 17 formandos, dos quais três oficiais, dois sargentos e 12 praças, adiantou o Exército.

No curso anterior, do total de 67 formandos iniciais, receberam a boina e o crachá de Comando 23 militares.

O curso anterior, o 127.º, ficou marcado pela morte de dois instruendos. O Exército alterou o referencial de curso, introduzindo mudanças no apoio sanitário, no equilíbrio entre as taxas de esforço e de recuperação e no apoio no terreno, entre outras medidas.

Segundo Rovisco Duarte, os novos procedimentos permitiram "detetar com muita antecedência situações de potencial risco", nomeadamente situações de `rabdomiólise´ (desintegração das fibras musculares devido ao excessivo esforço) que só teriam sido detetadas mais tarde caso não tivessem sido aplicadas novas regras.

Questionado pelos jornalistas, o chefe do Estado-Maior do Exército adiantou que na próxima semana deverão estar concluídos os processos disciplinares a dois militares envolvidos na instrução do anterior curso.

Até ao momento, só um sargento instrutor do anterior curso foi punido - com a proibição de saída do quartel durante dez dias - no âmbito dos processos disciplinas abertos pelo CEME.