O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar teme que o custo das soluções eternize o problema dos abatimentos da zona mineira de Jales onde, pela primeira vez, está a ser estudado este “fenómeno” considerado “perigoso”.

Os alertas da população de Campo de Jales e das autarquias (câmara e junta) repetem-se desde 2015. No bairro mineiro e por cima das galerias das antigas minas de ouro têm-se verificado abatimentos e, em 2019, foi interditada e estrada municipal 1121-1, via de acesso a Campo de Jales, a Cidadelha de Jales e Reboredo de Jales.

Esta sexta-feira, em Campo de Jales realizou-se uma sessão de esclarecimento que contou com a presença de representantes da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) e, via videochamada, pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

No espaço de um ano o número de abatimentos identificados praticamente duplicou para os 15. As minas de Jales, encerradas na década de 90 do século passado, deixaram 16 galerias, quatro quilómetros de extensão e 600 metros de profundidade.

A representante da EDM afirmou que “perante a perigosidade” existente, já que pessoas moram em cima das galerias, se está a “estudar pela primeira vez este fenómeno”.

Foram realizadas cinco sondagens e colocada instrumentação que vai permitir monitorizar quantas e que tipo de movimentações estão a ocorrer no subsolo.

A EDM garantiu que “vai encontrar soluções”, mas que “precisa de tempo para perceber as movimentações”.

“O meu receio é que a intervenção seja tão cara que estes estudos se vão eternizando. É o meu receio, mas pugnaremos para que não aconteça”, afirmou aos jornalistas, no final do encontro, o presidente do município, Alberto Machado.

O autarca lamentou que, apesar dos alertas repetidos há cinco anos, só há “dois meses” é que foram realizadas as “primeiras monitorizações”, embora, apontou, “tenham sido feitos estudos sobre tipologia de terrenos”.

Na entrada do edifício onde decorreu a reunião foi colocada uma grande tarja com a mensagem “E se fosse em Lisboa?”.

Alberto Machado pegou na deixa e questionou: “Teriam sido feitas as monitorizações quatro anos e 10 meses depois?”

O autarca acredita que o processo está a andar devido à pressão contínua da câmara, população e comunicação social, e também de todos os partidos políticos, com quem se reuniu.

“Neste momento ainda não há informação sobre coisa nenhuma. Não sabemos se pode haver um grande abatimento, se não pode haver abatimento nenhum ou se pode continuar a haver estes pequenos abatimentos que temos diagnosticado e comunicado”, salientou.

O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real, acrescentou que “estava à espera que já houvesse mais dados”, destacando, contudo, que esta “é a primeira vez que há uma intervenção no terreno”.

Em novembro, realizar-se-á uma nova reunião para um ponto de situação.

“A câmara municipal está expectante também. Temos uma população que vive sobre umas minas que deram um cabimento financeiro muito grande ao país e que, agora, está a precisar de retorno do país para a sua própria segurança”, sublinhou.

A mina de ouro de Jales foi explorada desde o tempo dos romanos (século I). A exploração mais recente remonta ao século passado com a exploração do sistema filoniano da Gralheira (1929) e o filão de Campo (1933).

A exploração mineira do Estado português terminou em 1992, tendo sido a última exploração de ouro em Portugal.

/ AM