Centenas de professores e dirigentes sindicais concentraram-se esta terça-feira junto ao Ministério da Educação, em Lisboa, numa manifestação em prol da dignidade e valorização profissional e em protesto contra o desrespeito pela negociação coletiva.

O protesto, que assinalou o Dia Mundial do Professor, partiu do largo de Santos até ao Ministério da Educação (ME), na avenida Infante Santo, onde Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), vai encerrar a iniciativa com um discurso num palco montado nas imediações do ME.

Os manifestantes exibem bandeiras dos vários sindicados afetos à Fenprof mas são também visíveis cartazes com palavras de ordem relacionadas com a aposentação, carreiras, concursos, entre outras matérias que integram as reivindicações dos docentes.

A manifestação decorreu até momento de forma tranquila, sendo acompanhada por alguns elementos da PSP.

Para a Fenprof, a manifestação acontece numa altura em que se vive um “quadro de grande ataque à dignidade profissional docente e de enorme desrespeito pelo direito à negociação coletiva”.

Entre as principais reivindicações, a estrutura sindical sublinha a recomposição da carreira, o regime de aposentação e rejuvenescimento da profissão, horários e condições de trabalho, precariedade profissional e o regime de concursos.

Os professores admitem avançar para greve e para uma manifestação nacional se o Ministério da Educação não aceitar negociar com os sindicatos e se o próximo Orçamento do Estado não der respostas às suas reivindicações.

Queremos negociar e, desse modo, resolver os problemas, mas se não tivermos interlocutor no Ministério da Educação tornar-se-á inevitável a luta”, disse o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, na intervenção de encerramento da manifestação de professores e dirigentes sindicais que hoje percorreu ruas de Lisboa e terminou junto ao Ministério da Educação (ME).

Mário Nogueira disse que na próxima quinta-feira, 7 de outubro, as propostas sindicais para as negociações do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) já entregues ao primeiro-ministro, António Costa, serão entregues no ME, esperando que se quebre o “bloqueio negocial”, uma “intolerável expressão de arrogância, mas também de incapacidade e cobardia políticas”.

Sem negociações, as ações de luta são dadas como certas.

O recurso à greve estará sempre em cima da mesa, aliás, como a outras formas de luta, integrando um plano para a ação reivindicativa, definido em torno de objetivos concretos e de tempos adequados como é, obviamente, o período de debate e votações do Orçamento do Estado, que se iniciará no próximo dia 11 de outubro e decorrerá até final de novembro”, disse.

De forma convergente ou não, admite-se também “um regresso à rua em número elevado”, se essa for a decisão do Conselho Nacional da Fenprof, que se reúne ainda em outubro.

Agência Lusa / AG