O secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE) lamentou esta sexta-feira que a tutela já tenha definido as medidas relativas ao funcionamento do próximo ano letivo, sem antes voltar a ouvir os representantes dos professores.

A reunião que tivemos recentemente com o Ministério da Educação não permitiu o conhecimento daquilo que eram as intenções do ministério e agora somos confrontados com este anúncio de que as medidas já estão determinadas e vão ser hoje anunciadas”, afirmou João Dias da Silva, numa conferência de imprensa na sede da FNE, em Lisboa.

O dirigente sindical referia-se a uma conferência de imprensa agendada para a tarde de hoje, em que o ministro Tiago Brandão Rodrigues irá apresentar o conjunto de medidas aprovadas em Conselho de Ministros, na quinta-feira, relativas ao próximo ano letivo.

No dia 25 de junho, a tutela esteve reunida com vários sindicatos de professores, para discutir o regresso às aulas em setembro, mas não adiantou que medidas estariam em cima da mesa, comprometendo-se, segundo dirigentes sindicais, a remarcar novo encontro.

Sei que a pressão social tem sido muito forte para que o ministério avance com aquilo que é a determinação das condições de abertura do próximo ano letivo, mas também devia ter promovido essas reuniões de audição e a participação dos parceiros sociais”, lamentou o secretário-geral da FNE, considerando que talvez tenha ficado com uma “expectativa eventualmente ilegítima”.

João Dias da Silva alertou ainda que as medidas que o Governo se prepara para anunciar não podem refletir uma uniformização da resposta aos problemas causados pelos últimos três meses de ensino a distância.

“Será muito mau que o Ministério da Educação pretenda desenhar [o próximo ano] com régua e esquadro para ser realizado universalmente um conjunto de normas, esquecendo aquilo que são as realidades concretas de cada escola”, explicou.

O secretário-geral da FNE considerou que a autonomia das escolas, a garantia dos recursos necessários, a flexibilização curricular e a confiança no trabalho dos docentes são condições imprescindíveis para recuperar conteúdos e aprendizagens.

Referindo-se ao investimento de 125 milhões de euros para o reforço de recursos humanos nas escolas, anunciado na terça-feira pelo ministro da Educação, João Dias da Silva admitiu temer que o valor seja insuficiente.  

Não conhecemos, neste momento, se vai ser suficiente, mas entendemos que tem de haver os recursos humanos que sejam essenciais para que haja o apoio aos alunos, para as tutorias e para a compensação pedagógica que for necessária”, sublinhou.

Durante a conferência de imprensa, o secretário-geral da FNE reiterou a importância de retomar, em setembro, o ensino presencial, que considerou “fundamental” para o desenvolvimento dos alunos.

No entanto, João Dias da Silva reconhece que a evolução da pandemia de covid-19 em Portugal poderá não permitir que as aulas presenciais sejam totalmente retomadas no início do próximo ano letivo, mas avisa que nada justifica as escolas estejam preparadas para implementar um sistema misto.

Os professores vão viver um contexto novo, mas se em março não estávamos preparados, nada justifica que cheguemos a setembro ou outubro continuando a não estar preparados”, ressalvou.  

Ainda assim, acrescentou, é importante assegurar que os professores têm tempo e ferramentas para se prepararem para um eventual sistema de ensino-aprendizagem híbrido, de forma a evitar os constrangimentos que marcar o ensino a distância no 3.º período.  

/ AG