O advogado de Joe Berardo afirmou esta sexta-feira que o empresário vai fazer tudo para conseguir pagar a caução de cinco milhões de euros, medida de coação aplicada pelo juiz Carlos Alexandre.

Recorde-se que o único bem que está em nome do empresário madeirense é uma garagem, pelo que se pergunta de que forma vai ser paga a caução. Neste ponto, o advogado Paulo Saragoça da Matta lembrou que qualquer pessoa ou entidade pode pagar a quantia, ironizando que essa transferência pode até ser feita pela Santa Casa da Misericórdia.

Vão ser feitas todas as diligências no sentido de cumprir as medidas de coação, há muitas maneiras de fazer cumprir, até pode ser a Santa Casa da Misericórdia", referiu, lembrando o prazo de 20 dias para o pagamento do montante.

À saída do Tribunal de Instrução Criminal, o advogado agradeceu a todos os profissionais de justiça que estiveram envolvidos no processo ao longo dos últimos três dias em que Joe Berardo esteve detido.

Sobre as medidas de coação, Paulo Saragoça da Matta fala em "medidas lógicas", referindo que "justiça não é só prender pessoas".

Adicionalmente, o juiz decretou que o madeirense terá de entregar o passaporte nos próximos cinco dias, ficando ainda proibido de sair do país e de contactar com o advogado André Luís Gomes, o outro arguido que foi detido, e que terá de pagar uma caução de um milhão de euros.

Refira-se que o pagamento das duas cauções não terá de ser feito necessariamente em dinheiro, podendo ser apresentando em forma de garantias bancárias ou de imóveis, por exemplo.

O advogado fica ainda proibido de prestar serviços jurídicos a Joe Berardo e às suas empresas.

O juiz Carlos Alexandre entende que ambos os arguidos estão fortemente indiciados pelos crimes que o Ministério Público lhes imputa. O magistrado considera ainda que há perigo de fuga ou subtração à ação da justiça em relação a Joe Berardo, havendo perigo de perturbação de inquérito relativamente a ambos os arguidos.

Joe Berardo foi detido na terça-feira num processo que investiga vários crimes relacionados com a Caixa Geral de Depósitos. A notícia foi inicialmente avançada pela TVI, e o processo conta já com mais de dez arguidos, entre os quais o antigo presidente do banco público, Carlos Santos Ferreira.

O caso foi tornado público depois de uma operação em que foram feitas cerca de meia centena de buscas, 20 domiciliárias, 25 não domiciliárias, três a estabelecimentos bancários e uma a escritório de advogado.

Segundo comunicados da PJ e do DCIAP, nesta investigação, que decorre no âmbito do denominado processo Caixa Geral de Depósitos (CGD), existem suspeitas da prática de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal qualificada, branqueamento e, eventualmente, crimes cometidos no exercício de funções públicas.

A PJ esclareceu que se trata de um grupo "que entre 2006 e 2009 contratou quatro operações de financiamentos com a CGD, no valor de cerca de 439 milhões de euros" e que terá causado "um prejuízo de quase mil milhões de euros" à CGD, ao Novo Banco e ao BCP.

António Guimarães