A Direção Geral de Saúde anunciou, esta quarta-feira, que estão a ser ultimadas as orientações de um referencial de atuação para o caso de surgirem casos positivos ou casos suspeitos numa escola. Questionada sobre o arranque do ano letivo em Portugal, na conferência de imprensa em que se fez o balanço da evolução da pandemia no país, Graça Freitas sublinhou que as autoridades de saúde estão "alinhadas com aquelas que são as orientações da Organização Mundial de Saúde".

 "Foi com enorme satisfação que, no dia 31 [na reunião dos organismos de saúde dos vários países da União Europeia] verificámos que estamos perfeitamente alinhados com aquilo que são as orientações da OMS", disse a Diretora-Geral de Saúde.

Graça Freitas sublinhou que essas orientações passam por "abrir a escolas dentro da normalidade possível e máxima" e insistiu que “não há risco zero e temos de nos preparar”. Por isso mesmo, está a ser "ultimado um referencial" com orientações para o caso de se verificarem casos suspeitos ou casos positivos nas escolas. 

Quanto às orientações que as escolas devem ter em conta para a abertura do ano letivo, Graça Freitas remeteu para as orientações que já tinham sido dadas anteriormente. 

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Também a ministra da Saúde, Marta Temido, assegurou que o seu ministério tem "estado a trabalhar com o Ministério da Educação na componente de saúde pública na preparação do próximo ano letivo, num cenário de pandemia". 

Temos também tentado acompanhar o que vem de outros países. (...) No dia 31 de agosto, houve uma reunião, onde diferentes países partilharam experiências e de onde saíram alguma indicações que  gostaríamos de ver vertidas nas nossas orientações", disse a ministra. 

Marta Temido salientou que a intenção é ter "aulas o menos afetadas possível e interrompidas o mínimo possível e encerramentos o mais limitados possível e o mais limitados no tempo possível", sempre sem descurar "a segurança das crianças e controlo da infeção".

Portugal com 177 surtos ativos

Portugal regista  177 surtos ativos de covid-19, 86 dos quais no Norte, afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido, referindo que a “maior atenção” incide agora nesta região, devido aos casos surgidos nos últimos dias.

Os restantes surtos dividem-se da seguinte forma: nove no centro, 61 na Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLVT), nove no Alentejo e 12 no Algarve.

Durante a habitual conferência de imprensa, em Lisboa, destinada a atualizar a informação relativa à situação da pandemia em Portugal, a ministra assinalou que passam hoje seis meses sobre o registo dos primeiros dois casos no país.

A taxa de incidência a sete dias é agora de 22,9 novos casos por 100.000 habitantes e a 14 dias é de 38,2 novos casos por 100.000 habitantes, taxas que registam “uma tendência crescente”, assumiu Marta Temido.

De acordo com os números que divulgou, também o índice de transmissibilidade (RT) apurado entre 24 e 28 de agosto registou “uma tendência ligeiramente crescente”. Este índice tem estado acima de 1 é agora de 1,16, disse.

Ao fazer um breve balanço dos últimos seis meses, a ministra destacou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) garantiu resposta às necessidades de assistência de todos os residentes em Portugal.

Hoje estamos mais preparados para enfrentar um eventual recrudescimento da pandemia. Temos mais recursos, mais organização e mais experiência”, frisou.

Marta Temido sublinhou também que, como toda a Europa, Portugal enfrenta “um contexto complexo”, com o regresso às aulas, a gripe sazonal e o habitual acréscimo de mortalidade nos meses de inverno, sobretudo na população mais idosa.

Enquanto não houver uma vacina ou tratamento eficaz, advertiu, a responsabilidade na prevenção dos contágios continua a ser de todos dos cidadãos.

Vale a pena garantir um nível de prevenção elevado, envolvendo toda a sociedade”, reiterou.

Há 23 lares de idosos com surtos ativos

Direção-Geral da Saúde (DGS) avançou hoje que neste momento há 23 lares de idosos com surtos ativos de covid-19 em todo o país, sendo a maioria na região de Lisboa e Vale do Tejo.

No total do país, lares com surtos ativos são 23”, disse a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, na conferência de imprensa de atualização da situação da pandemia de covid-19 em Portugal.

Segundo Graça Freitas, 19 surtos estão na região de Lisboa e Vale do Tejo e quatro na região Norte.

Reguengos de Monsaraz é já considerado um surto não ativo, por não ter novos casos há 28 dias. 

Portugal regista , esta quarta-feira, mais três mortos e 390 novos casos de infeção por covid-19, em relação a terça-feira, segundo o boletim epidemiológico diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o boletim, desde o início da pandemia até hoje registam-se 58.633 casos de infeção confirmados e 1.827 mortes.

Os dados da DGS indicam que as três vítimas mortais foram registadas na região de Lisboa e Vale do Tejo, que contabiliza 30.208 casos (mais 168) e 671 mortos.

Manuela Micael / Atualizada às 15:30, com Lusa