A ministra da Saúde, Marta Temido, considerou não se poder fazer uma ligação direta entre um pedido de certificado para exercer medicina fora do país e a emigração de médicos.

Há um número de médicos que pedem o certificado para exercício profissional no estrangeiro, mas é importante referir que o acesso a esse certificado não é necessariamente para emigração, pode ser para o exercício temporário para a realização de um estágio ou de um curso”, disse Marta Temido.

A ministra da Saúde falava aos jornalistas à margem do 5.º Encontro Nacional do Primeiro Episódio Psicótico, que decorre este sábado em Lisboa, organizado pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, dedicado ao tema "Priorizar cuidados na doença mental grave: intervenção precoce na psicose”.

Uma notícia do Expresso dá este sábado conta que a fuga de médicos para o estrangeiro “é a mais alta dos últimos quatro anos”, referindo que os clínicos procuram “melhores condições".

De acordo com o jornal, o ano deverá terminar com quase 400 pedidos para exercer no estrangeiro, “pouco menos do que o recorde de 475 registado em 2015".

As razões de quem sai são variadas, de acordo com o Expresso, adiantando, no entanto, que há uma comum a todos: “a degradação das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde (SNS".

Marta Temido avançou a importância de um esclarecimento por parte da Ordem dos Médicos de forma a que se explique “o que aconteceu às pessoas que pediram esses certificados”, pois no seu entender “há interesse em conhecer a efetiva emigração dos jovens médicos”.

A ministra reconheceu que o fenómeno existe também em Portugal, “pela procura de médicos de outros países, como Brasil ou de países de língua portuguesa".

Estando [Portugal] integrado no mercado global é natural que também sinta o fluxo na saída de profissionais de saúde”, acrescentou.

Importante é não fazer uma ligação direta, porque ela não existe, entre quem pede o certificado de boas práticas para exercício noutro país e a emigração”, reiterou a ministra.

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