A ministra da Saúde anunciou este domingo, em conferência de imprensa, que a última quarta-feira, dia 15 de abril, foi o dia em que foram feitos mais testes para despistar Covid-19 em Portugal, cerca de 13.300. Marta Temido abordou também a controvérsia das celebrações do 25 de Abril e Dia do Trabalhador, garantindo que serão realizadas conforme as regras de segurança para conter a pandemia. 

Desde o dia 1 de março foram feitos 249 mil testes, 32% no mês de março e 68% no mês de abril, "o que demonstra a intensificação dos testes de diagnóstico", sublinhou Marte Temido.

Desde o dia 1 de abril, a média de testes diária foi de cerca de 9800, acrescentou a governante. 

Marta Temido deu conta ainda da chegada dos 65 ventiladores comprados à China - de uma encomenda com mais de 500 - e admitiu dificuldades da entrega dos restantes.

Relativamente à linha telefónica do SNS24, a ministra revelou que foram atendidas 7.700 chamadas no último dia. 

Marta Temido falou ainda das celebrações do 25 de Abril e do 1.º de Maio, que estão a causar polémica pela intenção de se realizarem cerimónias ou manifestações em tempo de confinamento. A ministra garantiu que o Governo está a trabalhar com a Assembleia da República para definir as regras das celebrações. 

Não prescindiremos de o fazer", disse a ministra. 

Um gesto imponderado ou uma saída desnecessária podem deitar tudo a perder [relativamente ao controlo da infeção]. Neste momento, em que todos gostaríamos de estar a viver as nossas vidas de outra forma, temos de ser muito ponderados. E não há qualquer contradição entre este dever e a sinalização de determinados dias específicos da nossa vida coletiva, porque a faremos dentro destas regras”, afirmou Marta Temido na conferência de imprensa de atualização de informação relativa à infeção pelo novo coronavírus (covid-19).

De acordo com a ministra, “nestes dias de particular dificuldade, ter boa saúde mental é, também, ter uma boa capacidade de resistir e permanecer no rigoroso cumprimento que de nós se espera, que é o isolamento até que tenhamos estabilidade [no controlo da infeção]”.

Quanto às celebrações do 25 de Abril, a ministra notou que uma coisa são as comemorações “tradicionais”, com pessoas na rua, abraçadas, e outra será o que está previsto realizar-se para assinalar a data este ano, ainda a ser detalhado e programado.

“Podem as pessoas ficar tranquilas e descansadas. De forma nenhuma deixaremos que um dia ou um gesto coloquem em causa um esforço coletivo”, assegurou.

A Assembleia da República estima que participem cerca de 130 pessoas na sessão solene do 25 de Abril entre deputados e convidados, contra os cerca de 700 do ano passado, devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19.

Numa nota sobre a sessão solene comemorativa do 46.º aniversário do 25 de Abril de 1974, depois de questionado pela Lusa, o gabinete do presidente do parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues, referiu na sexta-feira que o figurino habitual da cerimónia, que classifica como "um dos momentos altos da agenda parlamentar", será "naturalmente adaptado, quer do ponto de vista organizativo, quer do ponto de vista do número de convidados, embora sem perder de vista a dignidade da cerimónia".

Mais de 75.000 pessoas tinham assinado, ao início da tarde de hoje, uma petição ‘online’ a pedir o “cancelamento imediato” da sessão solene de comemoração do 25 de Abril na Assembleia da República.

Portugal regista este domingo 714 mortos associados à pandemia de Covid-19, mais 27 do que no sábado, e 20.206 infetados (mais 521), indica o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Comparando com os dados de sábado, em que se registavam 687 mortos, hoje constatou-se um aumento percentual de 3,9 por cento.

Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, os dados da DGS revelam que há mais 521 casos do que no sábado, representando uma subida de 2,6%.

Bárbara Cruz / Com Lusa - atualizada às 13:45