O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, disse recentemente que espera que o novo Centro do Atlântico para a Capacitação em Matéria de Defesa (CEdA) “veja a luz do dia até ao final de 2019”.

A iniciativa portuguesa terá como um dos seus objetivos principais melhorar o combate à pirataria na região do Golfo da Guiné, mas isso não inclui a execução de ações militares diretas.

Segundo o esclarecimento prestado pelo Ministério da Defesa Nacional (MDN) à TVI, o centro visará a “produção de doutrina, a identificação e partilha de boas práticas, bem como o desenvolvimento de exercícios operacionais e de treino conjuntos”.

O CEdA será instalado na Base das Lajes, na ilha açoriana da Terceira, onde os Estados Unidos têm uma forte presença militar há 75 anos. João Gomes Cravinho fez uma visita oficial a esse país em junho, e foi aí, numa palestra proferida no Centro para os Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), em Washington, que o ministro abordou o tema, afirmando que Portugal quer obter “o empenhamento dos EUA e de outros países” neste projeto.

O MDN não avança, para já, qual será o nível da participação norte-americana, mas é previsível que vários estados africanos passem a enviar militares aos Açores. Segundo Cravinho, o objetivo é “aumentar a capacidade dos países do Golfo da Guiné” no combate à pirataria, já que é aí que se registam “40% dos casos mundiais”.

Portugal tem deslocado frequentemente navios e aviões militares para aquela região, nos últimos anos. Um navio patrulha da Armada, o NRP Zaire, está destacado em S. Tomé e Príncipe desde o início de 2018, com vista à capacitação da guarda costeira santomense, tendo já participado em inúmeras ações de fiscalização e salvamento no mar.