A primeiro-grumete Adriana Oliveira foi esta terça-feira a primeira mulher a qualificar-se como mergulhadora da Marinha, sendo “mais uma pioneira” das Forças Armadas, que o ministro da Defesa espera que não seja a última.

João Gomes Cravinho presidiu esta terça-feira à cerimónia de entrega de diplomas aos 10 novos mergulhadores da Marinha, nos quais se incluiu a primeira mulher mergulhadora, Adriana Oliveira.

Num breve discurso, depois de os jovens militares terem recebido os seus diplomas e o simbólico cordão azul no braço esquerdo, pela mão do chefe do Estado-Maior da Armada, almirante António Mendes Calado, – sinal de que vão prestar serviço em unidades operacionais de mergulhadores – Cravinho confessou estar com “orgulho especial” nesta cerimónia.

Hoje assinalámos mais uma barreira quebrada com a integração da grumete Adriana Oliveira como a primeira mulher a concluir com sucesso este exigente curso. Parabéns. É mais uma pioneira nas Forças Armadas e isso só nos deve encher de orgulho”, declarou.

Com 24 anos, a primeiro-grumete Adriana Aquino de Oliveira é natural de Vila do Conde e é licenciada em Ciências do Mar, pela Universidade dos Açores.

De acordo com o governante, o caminho agora “será o de demonstrar a todas e a todos que não há obstáculos inultrapassáveis quando há vontade, quando há esforço, quando há dedicação”.

Esperamos que a grumete Adriana Oliveira sirva de inspiração a muitas outras jovens e que, apesar de ser a primeira, não seja a última a seguir este exigente percurso”, frisou.

Gomes Cravinho disse ainda que a capacidade do país de atuar com esta componente “em apoio a outras forças, nomeadamente a força de fuzileiros e também na manutenção da capacidade de guerra de minas da Aliança Atlântica tem um elevado valor operacional”.

Em declarações aos jornalistas, Adriana Oliveira, ligeiramente emocionada, disse ter tido “uns excelentes camaradas” que estiveram consigo “do início até ao fim”.

Espero servir de inspiração para outras mulheres que pensem que não é possível. As coisas são possíveis quando a gente quer e que pensem sempre que uma mulher consegue fazer tudo o que um homem consegue fazer. De uma maneira diferente sim, não temos a mesma força que um homem possa ter, mas temos outras coisas boas, o que também importa bastante a nível militar, não é só a força bruta, também é preciso ter uma cabeça boa e espero que venham muitas mais”, declarou.

Já na despedida, depois das fotos oficiais, Gomes Cravinho desejou a todos os 10 militares "bons mergulhos".

Em março, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, informou que, em 2020, o número de mulheres no efetivo das Forças Armadas subiu de 12% para 13%.

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Numa mensagem publicada no portal da Defesa Nacional, Gomes Cravinho indicava que as mulheres representavam também “40% dos dirigentes civis”, assinalando que, passados 30 anos sobre a abertura das fileiras militares às mulheres, há duas mulheres generais e “muitas são oficiais superiores com cargos de comando, direção”.

Em 2017, a taxa de participação das mulheres nas Forças Armadas portuguesas era de cerca de 11%, com 3.002 mulheres entre os 27.948 militares do efetivo.

/ NM