A Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo (SCMAH), na Terceira, reiterou hoje não terem ocorrido vacinações indevidas contra a covid-19 na instituição, que foi "injustamente vítima de graves acusações e suspeições".

A SCMAH e a sua Mesa Administrativa foram injustamente vítimas de graves acusações e suspeições sobre a legalidade do processo de vacinação contra a covid-19, verificado em várias valências e serviços de suporte, nos dias 31 de dezembro 3 de fevereiro passados, concretizado pela equipa técnica e profissionais de enfermagem da Unidade de Saúde da Ilha Terceira (USIT) e da própria Instituição", sustenta a entidade em comunicado enviado hoje às redações.

No início de fevereiro, a TVI divulgou listas para a vacinação contra a covid-19 da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo (SCMAH), na ilha Terceira, em que eram incluídos os nomes de quatro pessoas da mesa da instituição, incluindo o provedor, e uma declaração de consentimento assinada pela vice-provedora, que, entretanto, foi nomeada diretora regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social.

Posteriormente, em conferência de imprensa, o provedor da instituição, António Bento Barcelos, disse que, da mesa da instituição, apenas a vice-provedora foi vacinada contra a covid-19 e por existirem “doses sobrantes em risco de se perderem” num curto espaço de tempo.

Entretanto, a TVI divulgou também declarações de consentimento de uma jurista e de um informático da mesma instituição.

Em 09 de fevereiro, a diretora regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social dos Açores, Lucília Fagundes, apresentou a sua demissão, na sequência das notícias que davam conta de ter sido vacinada contra a covid-19.

Tendo em conta a gravidade das acusações que se são imputadas, vou entregar o caso ao meu advogado para apuramento das responsabilidades em sede judicial”, explicou, na altura.

A ex-diretora regional disse que foi informada no dia 31 de dezembro de que tinham sobrado “duas doses da vacina”, porque "dois dos colaboradores desistiram de ser vacinados”, e que essas doses “se inutilizariam caso não fossem administradas no espaço de 15 minutos”.

No comunicado enviado esta terça-feira, que pretende repor "a verdade" sobre o processo de vacinação, a instituição diz ser "verdade que houve duas inoculações extras, como referido", que "não constavam da lista oficial de pré-vacinação no dia 31 de dezembro".

E, prossegue, as pessoas em causa "foram contactadas e suscitadas a serem vacinadas, após orientação dada pelo enfermeiro diretor da instituição, em articulação com a equipa de enfermagem presente da USIT", com "duas vacinas que seriam inutilizadas dentro de poucos minutos, por desistência inesperada de dois profissionais"

Estas vacinações não foram ‘indevidas’, mas sim lícitas e resultado da boa prática de gestão e de decisão técnica", reitera a instituição.

A instituição refere ainda que fez solicitações, no dia 08 deste mês, a pedido do provedor, de audiências com os vice-presidente do Governo dos Açores e o secretário regional da Saúde e Desporto, solicitando "um imediato inquérito ou ação inspetiva ao processo de vacinação na SCMAH", remetendo "toda a documentação disponível", aguardando "a celeridade do mesmo" e as conclusões "com tranquilidade".

A Santa Casa reforça que "tudo foi feito de forma transparente" e a Mesa Administrativa enaltece "o bem-sucedido processo de vacinação na SCMAH", garantindo que "tudo fará para defender e proteger a reputação e credibilidade" da instituição e "a verdade dos factos", lê-se no comunicado.

O Governo Regional dos Açores determinou recentemente a realização de uma ação inspetiva por parte da Inspeção Regional da Saúde ao processo de vacinação contra a covid-19 na região, para apurar se existiram irregularidades.

/ HCL