A Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa (ENMA) propõe uma mudança de hábitos dos portugueses a começar na infância. Isto porque aprender a pedalar vai passar a fazer parte do currículo escolar desde o ensino básico já em 2020.

No 1.º ciclo, os alunos vão aprender a pedalar dentro do ambiente escolar. Já no 2.º e 3.º ciclo e secundário vão pedalar em ambientes abertos: nas ciclovias e rodovias. O ciclismo vai ser matéria nuclear do currículo de Educação Física. A ideia é que, numa década, os portugueses pedalem 15 vezes mais.

Um dos objetivos é chegar aos 20% de mobilidade ativa, ou seja, caminhar e pedalar como meio de transporte. Isso porque quando o assunto é usar a bicicleta como principal meio de transporte, Portugal está na penúltima posição na União Europeia.

A mobilidade ativa é a forma mais popular para percorrer curtas distâncias potenciando sinergias com o transporte público em todo o território nacional e melhorando significativamente a qualidade de vida dos portugueses. É tempo de uma mudança significativa, inteligente, ao serviço das pessoas e também ao serviço da descarbonização do ambiente”, disse o Ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes, na cerimónia de apresentação da ENMA.

No entanto, Portugal ainda não é um país seguro para os ciclistas. De acordo com os dados da Federação Europeia de Ciclistas (ECF, em inglês), em média morrem 600 ciclistas por ano.

Para redução de 50% da sinistralidade de peões e ciclistas até 2030, a ENMA propõe a construção de 10 mil quilómetros de ciclovias, além de aperfeiçoar o Código de Estrada, rever o Regulamento de Sinalização de Trânsito e outras medidas.

Além de fazer bem para a saúde e o meio ambiente, pedalar movimenta ativamente a economia. Portugal já é o terceiro maior fabricante europeu de bicicletas, com uma fileira industrial localizada na Região de Aveiro, que exporta maioritariamente a sua produção.

Os dados de 2017 dão conta de que foram produzidas mais de 1 milhão e 980 mil unidades, no valor de mais de 250 milhões de euros. Na produção de bicicletas e assessórios são gerados 6 520 empregos.

A proposta da Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa está disponível para consulta e discussão até o dia 28 de abril.