A Polícia da República de Moçambique (PRM) disse, nesta segunda-feira, à Lusa, ter indícios de que o rapto do empresário português, encontrado morto no domingo, pode ter sido feito por alguém que a vítima conhecia.

O relato de uma funcionária indicia que "o rapto em si não tenha sido violento" e que, provavelmente, o empresário "se tenha sentido à vontade para lidar com as pessoas que o raptaram", referiu Fernando Manhiça, porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Matola, na província de Maputo.

A PRM foi alertada no sábado para o rapto por uma pessoa próxima do português de 51 anos, Paulo Caetano Mendes, que vivia há oito anos em Moçambique e que disponibilizava apoio aos setores da construção civil, nomeadamente através do aluguer de máquinas.

Tomámos conhecimento no dia 10, através de uma pessoa ligada à vítima, que havia registo deste rapto", que terá ocorrido na sexta-feira na zona de Mussumbuluco, na Matola, subúrbios da capital, Maputo.

Na altura, disse o porta-voz, a polícia ativou a equipa de investigação criminal (Sernic) e foram iniciadas diligências.

Infelizmente, por volta das 14:00 de domingo, o corpo foi descoberto na zona de Moamba", numa pedreira abandonada, com sinais de ter sido atingido com uma faca no pescoço e no braço, acrescentou.

O português foi encontrado depois de ter sido pago o resgate exigido, confirmou, no domingo, o secretário de Estado das Comunidades português, José Luís Carneiro.

O governante considerou que os casos ocorridos em Moçambique "não contribuem para a confiança dos investidores no país" e que Portugal já manifestou "toda a disponibilidade" para acompanhar a família nas "diligências judiciárias que estão em curso, depois de apresentadas queixas junto das autoridades moçambicanas", que estão a investigar o caso.

Uma portuguesa, Inês Botas, 28 anos, que trabalhava para a empresa Ferpinta na cidade da Beira, centro de Moçambique, foi assassinada em dezembro de 2017.

Três homens foram acusados do crime, incluindo o preparador-físico da vítima, mas o julgamento nunca se chegou a realizar e um dos suspeitos fugiu da prisão na semana passada.

Ainda em dezembro de 2017, poucos dias depois da morte de Inês Botas, uma cidadã portuguesa com cerca de 70 anos morreu na província de Manica, centro do país, na sequência de um assalto à sua residência.

Continua também por esclarecer o desaparecimento do empresário Américo Sebastião, raptado numa estação de abastecimento de combustíveis, em 29 de julho de 2016, em Nhamapadza, distrito de Maringué, província de Sofala, no centro do Moçambique.

Polícia procura pistas no telemóvel

A polícia moçambicana está a tentar extrair informação do telemóvel do empresário português encontrado morto, no domingo, na província de Maputo, para chegar aos autores do crime, disse fonte daquela força de segurança à Lusa.

A vítima tinha "um aparelho telefónico e ao nível da investigação criminal" a polícia está a averiguar a "possibilidade de extrair alguma informação" do dispositivo, disse à Lusa Juarce Elias Martins, chefe provincial de Relações Públicas da Polícia da República de Moçambique (PRM).

De acordo com aquela força de segurança, há indícios de que o empresário de maquinaria e construção civil, José Paulo Antunes Caetano, de 51 anos e que vivia há oito em Moçambique, tenha sido raptado na sexta-feira, pelas 10:00, por alguém conhecido.

"Ele estava na empresa a trabalhar e há um momento em que sentiu necessidade de se ausentar para se encontrar com determinadas pessoas", referiu Elias Martins.

"Não temos a descrição dessas pessoas, talvez a investigação permita saber", acrescentou.