Um incêndio em Monchique deflagrou às 13:30 deste sábado, numa zona de mato no lugar de Tojeiro, freguesia de Marmelete.

Às 20:00 havia no terreno de 314 operacionais, apoiados por 96 veículos, oito meios aéreos e quatro máquinas de rasto.

Frente sul dirige-se para áreas com população

O fogo está atualmente com duas frentes ativas e as autoridades querem aproveitar a madrugada como janela de oportunidade para o tentar dominar, afirmou o comandante das operações, Richard Marques.

Em conferência de imprensa no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, o comandante operacional Distrital de Faro da Proteção Civil, Richard Marques, adiantou que a frente sul-este, a lavrar na zona do autódromo, é a que mobiliza mais meios por se estar a dirigir para zonas de aglomerados populacionais, como Vidigal Velho e Alcalar, mas que as faixas de gestão de combustíveis existentes têm “sido utilizadas e ajudado a diminuir a intensidade do fogo”.

A frente norte-oeste, mais perto do local de ignição, não apresenta para já “pontos sensíveis” (casas), estando a ser “contrariada pela direção do vento”, mas qualquer alteração poderá levar a uma “maior precaução”, já que se ganhar força poderá dirigir-se para a zona de serra e que está a ser combatida maioritariamente por “meios aéreos e máquinas de rasto", alertou.

Não existindo ainda uma quantificação da área ardida, o comandante revelou que o incêndio atingiu “logo no início uma dimensão significativa”, consequência do quadro meteorológico no local, e a sua dimensão obrigou a uma “dispersão dos meios no terreno” com um “reforço significativo” ao longo do dia.

O vento é o maior desafio dos operacionais, já que apresenta diferentes intensidades e direções, o que obrigou a "constantes ajustes na dinâmica do combate ao incêndio".

30 pessoas retiradas das habitações

O incêndio que lavra em Monchique já passou para o concelho de Portimão obrigou a deslocar 30 pessoas e ameaça localidades como Vidigal Velho ou Alcalar, segundo um balanço da Proteção Civil.

O presidente da Câmara de Monchique, Rui André, referiu que a situação no seu concelho é neste momento “mais tranquila”, estando os meios concentrados no município vizinho de Portimão, onde as chamas "consomem um armazém de resíduos e estão próximas de habitações".

O fogo continua a lavrar numa área muito grande, evoluiu muito. Foi necessário afetar meios junto das populações e neste momento a maior preocupação é em Portimão, junto ao autódromo”, referiu.

Idosos retirados de lar "por precaução"

Segundo apurou a TVI, as autoridades evacuaram um lar de idosos que fica na zona do incêndio, na Aldeia de Pereira, "por percaução".

Em menos de duas horas, o fogo chegou perto das habitações, obrigando também à evacuação de várias casas.

No que diz respeito ao concelho de Monchique, o autarca referiu que não existem habitações em risco, tendo o fogo consumido apenas “pequenas estruturas de apoio agrícola”.

Casas agrícolas de apoio, barracas, pequenas construções. Nada de grave. As coisas estão mais tranquilas, embora estejamos vigilantes e com a intervenção de máquinas de rastro estamos a conseguir travar o avanço das chamas”, explicou.

Rafaela Laja / com Lusa