Uma forte trovoada acompanhada de chuva e granizo provocou danos avultados na agricultura, principalmente ao nível das vinhas, olivais e soutos, em vários pontos do concelho de Mogadouro, no distrito de Bragança.

Segundo José Carrasco, comandante dos bombeiros de Mogadouro, os operacionais foram "solicitados para várias ocorrências em vários pontos do concelho", acrescentando que os maiores prejuízos relatados foram ao nível das culturas agrícolas.

"Há 42 anos que não me lembro de chover granizo assim em pleno verão", descreveu o comandante à TVI.

Já o presidente da junta de freguesia de Tó, no norte do concelho de Mogadouro, António Marcos, descreveu o granizo que caiu na sua aldeia durante cerca de uma hora como "bolas de pingue-pongue".

As bolas de granizo ainda são visíveis em vários pontos da vila, onde decorre o festival Terra Transmontana.

"Nunca tinha visto pedras de granizo deste tamanho"

O presidente da Câmara de Mogadouro disse que são "muito avultados" os prejuízos no concelho provocados pelo súbito mau tempo.

Tenho conhecimento de que há prejuízos muito avultados provocados pelo granizo, não só na vila de Mogadouro, mas em grande parte do concelho. Ainda não é possível contabilizar os estragos já que a informação, só agora, começa a chegar", disse à Lusa Francisco Guimarães.

De acordo com o autarca, as pedras de granizo eram quase do tamanho de ovos de galinha.

Eu nunca tinha visto pedras de granizo deste tamanho. Agora a nossa preocupação é estar com os nossos agricultores que viram as suas culturas perdidas", concretizou.

Diretora Regional da Agricultura vai avaliar prejuízos

A diretora regional de Agricultura e Pescas do Norte vai deslocar-se ao concelho de Mogadouro, no distrito de Bragança, na segunda-feira de manhã, para em articulação com o município avaliar os prejuízos causados pelo mau tempo.

Já estive a falar com o senhor presidente da Câmara de Mogadouro e na segunda-feira, pela manhã, estarei no concelho, para ajudar a avaliar os estragos causados pela trovada", disse à Lusa Carla Alves.

A partir de domingo, acrescentou, os técnicos da Direção Regional de Agricultura e Pecas do Norte (DRAPN) estarão no terreno para uma primeira avaliação dos prejuízos causados pela trovoada, que se fez acompanhar de chuva e granizo intensos, e ao mesmo tempo decidir as intervenções a fazer.

No entanto, o Ministério da Agricultura anunciou esta tarde que está “no terreno” a avaliar os estragos causados pela queda de chuva e de granizo que atingiu vários pontos do concelho.

Os serviços do Ministério da Agricultura encontram-se no terreno a fazer a avaliação dos estragos causados pela queda de chuva e de granizo que hoje atingiu diversos pontos do concelho de Mogadouro, no distrito de Bragança”, indicou o ministério liderado por Luís Capoulas Santos, em comunicado.

A tutela acrescenta que os seus serviços “estão focados na identificação de prejuízos materiais relacionados com situações que possam dar origem à necessidade de restabelecimento do potencial produtivo (infraestruturas de apoio à atividade agrícola e equipamentos)”.

Relativamente às culturas, o Ministério da Agricultura indica que a queda de chuvas intensas e de granizo constitui um risco coberto pelo sistema de seguros agrícolas de colheitas, que “está disponível para todos os agricultores” e que é subsidiado em 60% pelo ministério.

A tutela indica ainda que já foi emitida uma carta circular destinada aos fruticultores e aos viticultores, indicando “o tipo de intervenção que devem fazer nas culturas, bem como os tratamentos a aplicar, a fim de minimizar os efeitos de eventuais problemas que possam afetar as árvores de fruto e as vinhas na sequência da queda de chuva e granizo”.